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5 de novembro de 2014

Razões para não armazenar células tronco do cordão umbilical

E será que vale a pena armazenar as células tronco do cordão umbilical dos nossos bebês, e privá-los de receber todo o sangue que é deles de direito?!
Não,  não vale.  Mesmo! 

Muito se fala sobre o armazenamento das células tronco do cordão umbilical para ajudar na cura de futuras doenças, mas pouco se sabe mesmo sobre o assunto.
Na verdade não existe nada que conprove que isso realmente seja uma atitude preventiva eficaz, muito pelo contrário.
Se fala muito na cura da leucemia, mas a ABHH - Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, já disse que: "A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento e pode ser detectada já no teste do pezinho."

Então acredito que ao invés de querer armazenar, para quem sabe um dia precisar, por que não deixar todo esse sangue pra quem é mesmo de direito, e no momento em que ele, o bebê, realmente precisa?!

Abaixo dois vídeos que mostram como é feita a coleta e todo o sangue que o bebê perde nesse processo.




A seguir dois textos que falam sobre o assunto e explicam muito bem o porquê que não devemos armazenar essas células tronco.

"O sangue do cordão umbilical deve pulsar inteiramente para o recém-nascido, porque é dele. Ele fornece o aporte de ferro necessário para o primeiro ano do bebê, uma vez que o leite materno não é rico nesse mineral (motivo pelos quais os pediatras indicam suplemento de ferro a partir do sexto mês). Sério, o bebê recebe entre 20 e 40ml a mais de sangue, o que representa 30 a 35mg a mais de ferro.
O bebê é oxigenado através do cordão. O clampeamento imediato do cordão equivale a um instante de sufocamento, pois o bebê para, repentinamente, de receber oxigênio. E para bebês com dificuldades respiratórias nos primeiros instantes, esse oxigênio do cordão é extremamente representativo e pode evitar potenciais danos cerebrais e morte.
Não existem estudos que comprovem aspectos negativos do clampeamento tardio. Nenhum. Zero. Nada. Não aumenta o risco de icterícia, não aumenta a bilirrubina, nada disso é comprovado. No entanto…
…em caso de emergências, o clampeamento deve ser imediato. É necessária a remoção do bebê para procedimentos de emergência. E mesmo esse procedimento de remoção e clampeamento imediato pode estar com os dias contados, vê só. Um obstetra britânico ajudou a inventar um equipamento chamado de BASICS trolley. É um carrinho que fica ao lado do leito da mãe, que contem um ressucitador, água e aquecedor, e permite que os cuidados de emergência neonatais imediatos podem ser feitos nesse carrinho, ao lado da mãe, sem o clampeamento do cordão. Ele ganhou prêmios e está aos poucos sendo introduzidos nos hospitais do Reino Unido, local onde os obstetras já incluíram nas guidelines: nada de clampeamento imediato.

E como se não bastasse isso, a própria Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) publicou uma nota dizendo basicamente que esses serviços de coleta e armazenamento privativos do cordão umbilical são… bem… charlatanismo.

Veja o que diz o site de um laboratório que coleta e armazena células-tronco: 
Muitos destes estudos apresentaram resultados promissores em doenças como Diabetes, AVC, Epilepsia, Lupus, Artrites entre outras, além de estudos em recuperação de tecidos danificados em acidentes, como paraplegia, recuperação de queimados, etc.
Mas aí o site do Instituto Nacional de Câncer joga um balde de água fria:
O sangue do cordão é uma das fontes de células-tronco para o transplante de medula óssea e este é o único uso deste material atualmente. O transplante é indicado para pacientes com leucemias, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune (cerca de 70 indicações).
Nota da ABHH sobre a leucemia: 
A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento e pode ser detectada já no teste do pezinho.
Então você vai pagar entre R$3.500 e R$6.000 pra coletar as células-tronco do seu bebê, e mais R$600 a R$1.000 reais por ano pra armazená-las, e, se porventura um dia vier a precisar delas, basicamente… não vai poder usá-las.
Mas digamos que você está em um local onde o clampeamento precoce do cordão é regra, como… a maioria dos hospitais brasileiros. Em hospitais públicos, principalmente, a flexibilidade dessas regras é de zero a nula. Então você acha que seria bacana guardar as células-tronco do cordão. Pra isso, existe a Brasilcord, uma rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Públicos, isso mesmo. Significa que você não tem autonomia sobre o uso do sangue da sua criança, mas assim como alguém pode usá-lo, você (ou ele) podem precisar das células-tronco de outro alguém. E é de lá que virá. Naquele link do INCA que eu coloquei acima, eles explicam exatamente como funciona a coleta e a doação para a Brasilcord. E nesse link, estão os endereços dos bancos de sangue umbilical e placentário do país.
Eu sei que no meu próximo filho, farei de tudo para evitar o clampeamento precoce do cordão. E você, levou isso em consideração no seu plano de parto?"

Fonte: http://vilamamifera.com/mamiferas/devo-coletar-o-sangue-do-cordao-umbilical/  
http://scienceofmom.com/2012/10/11/why-consider-delayed-cord-clamping/
O sangue do cordão umbilical deve pulsar inteiramente para o recém-nascido, porque é dele. Ele fornece o aporte de ferro necessário para o primeiro ano do bebê, uma vez que o leite materno não é rico nesse mineral (motivo pelos quais os pediatras indicam suplemento de ferro a partir do sexto mês). Sério, o bebê recebe entre 20 e 40ml a mais de sangue, o que representa 30 a 35mg a mais de ferro.
O bebê é oxigenado através do cordão. O clampeamento imediato do cordão equivale a um instante de sufocamento, pois o bebê para, repentinamente, de receber oxigênio. E para bebês com dificuldades respiratórias nos primeiros instantes, esse oxigênio do cordão é extremamente representativo e pode evitar potenciais danos cerebrais e morte.
Não existem estudos que comprovem aspectos negativos do clampeamento tardio. Nenhum. Zero. Nada. Não aumenta o risco de icterícia, não aumenta a bilirrubina, nada disso é comprovado. No entanto…
…em caso de emergências, o clampeamento deve ser imediato. É necessária a remoção do bebê para procedimentos de emergência. E mesmo esse procedimento de remoção e clampeamento imediato pode estar com os dias contados, vê só. Um obstetra britânico ajudou a inventar um equipamento chamado de BASICS trolley. É um carrinho que fica ao lado do leito da mãe, que contem um ressucitador, água e aquecedor, e permite que os cuidados de emergência neonatais imediatos podem ser feitos nesse carrinho, ao lado da mãe, sem o clampeamento do cordão. Ele ganhou prêmios e está aos poucos sendo introduzidos nos hospitais do Reino Unido, local onde os obstetras já incluíram nas guidelines: nada de clampeamento imediato.

E como se não bastasse isso, a própria Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) publicou uma nota dizendo basicamente que esses serviços de coleta e armazenamento privativos do cordão umbilical são… bem… charlatanismo.

Veja o que diz o site de um laboratório que coleta e armazena células-tronco: 
Muitos destes estudos apresentaram resultados promissores em doenças como Diabetes, AVC, Epilepsia, Lupus, Artrites entre outras, além de estudos em recuperação de tecidos danificados em acidentes, como paraplegia, recuperação de queimados, etc.
Mas aí o site do Instituto Nacional de Câncer joga um balde de água fria:
O sangue do cordão é uma das fontes de células-tronco para o transplante de medula óssea e este é o único uso deste material atualmente. O transplante é indicado para pacientes com leucemias, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune (cerca de 70 indicações).
Nota da ABHH sobre a leucemia: 
A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento e pode ser detectada já no teste do pezinho.
Então você vai pagar entre R$3.500 e R$6.000 pra coletar as células-tronco do seu bebê, e mais R$600 a R$1.000 reais por ano pra armazená-las, e, se porventura um dia vier a precisar delas, basicamente… não vai poder usá-las.
Mas digamos que você está em um local onde o clampeamento precoce do cordão é regra, como… a maioria dos hospitais brasileiros. Em hospitais públicos, principalmente, a flexibilidade dessas regras é de zero a nula. Então você acha que seria bacana guardar as células-tronco do cordão. Pra isso, existe a Brasilcord, uma rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Públicos, isso mesmo. Significa que você não tem autonomia sobre o uso do sangue da sua criança, mas assim como alguém pode usá-lo, você (ou ele) podem precisar das células-tronco de outro alguém. E é de lá que virá. Naquele link do INCA que eu coloquei acima, eles explicam exatamente como funciona a coleta e a doação para a Brasilcord. E nesse link, estão os endereços dos bancos de sangue umbilical e placentário do país.
Eu sei que no meu próximo filho, farei de tudo para evitar o clampeamento precoce do cordão. E você, levou isso em consideração no seu plano de parto?"

Fonte: http://vilamamifera.com/mamiferas/devo-coletar-o-sangue-do-cordao-umbilical/  
http://scienceofmom.com/2012/10/11/why-consider-delayed-cord-clamping/

1. Importantes órgãos de saúde não recomendam o armazenamento de células-tronco em bancos privados.
No Brasil, o Ministério da Saúde, o INCA e a Anvisa se posicionaram contra o armazenamento de sangue de cordão umbilical em bancos privados com base em estudos e estatísticas que apontam as numerosas limitações do uso real desse material. A Academia Americana da Pediatria e o Colégio Americano de Ginecologistas Obstetras também são reticentes à prática. Vou resumir as principais objeções levantadas por esses órgãos:
  • A probabilidade real de se usar as células-tronco do cordão é baixíssima: as estimativas indicam entre 0,005% e 0,05%. No Brasil, apenas 3 das 45.661 unidades de sangue de cordão armazenadas em bancos privados no período de 2003 a 2010 foram utilizadas. Ou seja, somente 0,007%.
  • As quantidades coletadas geralmente não são o suficiente para tratar muitas condições – especialmente em adultos. Para você ter uma ideia, segundo Mary Hanet, a gerente de um dos maiores bancos públicos dos EUA, 75% do sangue coletado para bancos públicos é descartado por não conter um número mínimo de células-tronco. Ou seja, há uma chance considerável de você pagar para armazenar um material completamente inviável.
  • Em muitas das doenças passíveis de serem tratadas com células-tronco na infância, não é indicado usar material autólogo (do próprio paciente), porque aquelas células também carregam os marcadores genéticos da doença. É o caso das leucemias, por exemplo, e de outras doenças genéticas.
  • Como os bancos privados não são regulados, há uma chance do armazenamento não estar sendo feito adequadamente.
  • Ainda há poucos estudos e relatos de caso na literatura médica para comprovar o real benefício de tratamentos com células-tronco de sangue de cordão umbilical autólogas.
2. O sangue do cordão pertence ao bebê – privá-lo desse sangue pode ter consequências adversas.
Dizem que o sangue do cordão, se não for coletado, vai para o lixo junto com a placenta. E isso pode até ser verdade em muitos casos, mas é importante saber que  não precisa acontecer no seu caso. Deixar passar alguns minutos antes de cortar o cordão – uma prática conhecida como clampeamento tardio de cordão umbilical – já faz parte de um protocolo humanizado (e baseado em evidências) de parto e nascimento – é, inclusive, uma recomendação da OMS. Consiste em esperar o cordão parar de pulsar, para que o sangue residual do cordão e da placenta retorne para o bebê. Afinal, aquele sangue ali pertence ao bebê, não é mesmo? Na natureza, num parto 100% fisiológico, ele voltaria ao bebê. Estudos mostram que bebês que receberam esse sangue na época do nascimento têm menos anemia do que bebês nascidos com os protocolos antigos de clampeamento (ou seja, cujo cordão foi cortado imediatamente). Eileen Hutton, que publicou uma revisão sistemática sobre o tema, diz o seguinte sobre o clampeamento precoce do cordão (ou seja, o método convencional praticado pela maioria dos médicos): “As implicações são imensas. Trata-se de privar os bebês de 30 a 40 por cento do próprio sangue no nascimento – e tudo isso porque aprendemos uma prática que é nociva”.

Um último ponto sobre as consequências imediatas para o bebê: o procedimento em si, como você pode ver na imagem que ilustra esse post, não me parece um jeito muito agradável de ser recepcionado a este mundo. Eu, se fosse um recém-nascido, preferiria estar entre os seios quentinhos da minha mãe.
3. O marketing das empresas de armazenamento é predatório e antiético.
Um excelente debate entre médicos publicado no jornal de acesso aberto PLOS Medicine levanta uma questão pertinente:  bancos de armazenamento privados exploram a vulnerabilidade emocional dos pais visando o próprio lucro? Visto que: A) muitos candidatos a clientes desconhecem a informação resumida no ponto 1 (sobre a baixíssima probabilidade de, primeiro, precisarem desse material e, segundo e talvez mais importante, conseguirem fazê-lo de forma eficaz) e, sobretudo, B) que a decisão lhes é colocada como uma questão de “seguro de saúde” para um filho que ainda não nasceu – e sobre o qual já se colocou muito desejo, amor, preocupação – então eu diria que C), sim, é uma atitude covarde e cruel das empresas tentar vender-lhes uma garantia nada garantida, uma ilusão, de que através desse “investimento” eles estejam adquirindo um salva-guarda contra seus piores pesadelos. Como se não bastasse essa ação predatória sobre os medos inevitáveis dos pais, essas empresas também bonificam os médicos que “indicam” o serviço. Fiquei sabendo, por uma fonte segura, que as empresas oferecem um “agrado” (em dinheiro, que fique claro) aos obstetras das pacientes que contratam o serviço e que esse “agrado” pode até ultrapassar o valor que o médico recebeu do plano de saúde pelo procedimento feito (parto ou cesárea). É a dupla falta de ética nesse caso, porque nem o obstetra vira uma fonte confiável de informação, já que ele está se beneficiando do procedimento (sem revelar isso aos clientes).
É lógico que, sabendo de tudo isso, um casal pode ainda chegar à conclusão de que dormiria melhor à noite pagando os tais R$2.000 + taxas anuais de R$500. Mas sempre é bom examinar os medos e as crenças irracionais antes de gastar a grana e ser vítima desse marketing desleal, até porque [veja abaixo]…
4. …há maneiras mais eficazes – e mais certeiras – de zelar pela saúde do seu filho.
Ao invés de cair na neurose promovida pelo marketing do medo, fixando-se num cenário hipotético nada provável (doença rara, tecnologias de ponta, cura milagrosa!), que talvez nem seja tratável com o material disponível (insuficiente, mal armazenado, comprometido),  que tal colocar suas energias em medidas efetivas para melhorar a saúde do seu filho? Quer reduzir as chances de que ele tenha um câncer raro, diabetes, doenças autoimunes? Foque suas energias (e recursos financeiros) na amamentação e, em seguida, na alimentação saudável, priorizando comidas caseiras, feitas com ingredientes naturais (e, se possível, livres de agrotóxicos, como os orgânicos). Estabeleça em sua família um estilo de vida ativo, com tempo na natureza, diversão, esporte, ar puro e endorfinas naturais. Promova um ambiente com um mínimo de químicas e toxinas  – o que não significa estéril, pelo contrário, mas evitando expor sua família a substâncias cancerígenas ou disruptores endócrinos. Quer fazer mais? Então contrate um pediatra que faça um trabalho cauteloso, focado na saúde a longo prazo e não só nos males imediatos, limitando assim medicações, hospitalizações e cirurgias. Trate seu bebê, e depois a sua criança, o seu adolescente, com carinho e respeito, zelando pelo seu bem estar emocional, pois uma mente sã é uma condição sine qua non para um corpo são. Essas atitudes pró-ativas, concretas, fundamentadas em evidências, terão um impacto muito maior  a longo prazo na saúde e no bem estar do seu filho.
5. Você aposta na ciência?
Muitos pais que consideram coletar e armazenar o sangue do cordão do filho têm fé nas novas tecnologias e, por isso, optam por contratar esse serviço mesmo sabendo que, no momento atual, as aplicações são restritas. Acreditam que, no futuro, com novas pesquisas e descobertas, os usos se tornarão mais abrangentes e, assim, a probabilidade de se utilizar o material tão caramente guardado aumentará. Agora, se você aposta na ciência e na tecnologia, não seria razoável apostar na possibilidade de se descobrirem outros meios de curar e/ou tratar doenças sem privar o bebê de 30% do sangue do seu corpo ao nascer e sem expô-lo, desnecessariamente, ao risco de anemia por conta do clampeamento precoce do cordão? Sei lá, não sou cientista, mas não acho que essa hipótese seja tão improvável assim.
Já disse tudo o que me propus a dizer. Peço desculpa pelo texto enorme e por não ter tocado no assunto do armazenamento em bancos públicos, mas acho que o impulso por trás dessa opção não é o medo e a vulnerabilidade que fazem um casal considerar o armazenamento em  banco privado. E a minha birra é com isso. Porque é impossível alguém tomar uma decisão consciente sem ter informação real sobre o que está prestes a contratar: informação sobre o serviço, as possíveis consequências, as motivações que o levam a considerá-lo e as alternativas. Espero que eu tenha contribuído para que você faça uma decisão mais consciente sobre a contratação (ou não) desse serviço.

Fonte:  https://amaequequeroser.wordpress.com/2013/06/01/vale-a-pena-armazenar-o-sangue-do-cordao-umbilical/



4 de outubro de 2014

Sobre as células tronco do cordão umbilical


"Caí no "golpe" do congelamento em banco privado do sangue do cordão umbilical do meu filho.

Quatro anos depois do nascimento do Samuca, recebo um boleto “salgado” para pagar: Cerca de 800 reais. É a anuidade pelo congelamento do sangue do cordão umbilical dele, rico em células tronco embrionárias. O ano em que ele nasceu, 2010, o procedimento era caro – cerca de seis mil reais – e uma “sensação” entre pais e mães. Depois de uma luta para engravidar e duas fertilizações in vitro na bagagem, guardar as células tronco do meu filho parecia uma poupança para a saúde dele. O apelo era grande.

As empresas que fazem a coleta e o congelamento tinham quiosques dentro dos hospitais (acho que ainda têm) e esse tipo de pesquisa estava no centro das discussões mundiais – já se sabia que as células tronco do cordão são muito especiais porque têm a capacidade de se transformar em células de todos os 216 tecidos que formam o corpo humano. Seria possível criar em laboratório órgãos para transplante, curar diabetes, infarto, lesões de medula, Parkinson, Alzheimer. As possibilidades eram grandes e passei os últimos quatro anos lendo e me informando para descobrir que…. talvez nada disso seja viável nas próximas décadas.

Em 2013, ou seja, três anos depois do nascimento do meu filho, soube que a Anvisa lançou uma cartilha sobre os “mitos” de congelamento de cordão umbilical: No Brasil, entre 2003 e 2010, 45.661 unidades de cordão umbilical foram armazenadas em bancos privados, mas apenas três foram utilizadas para transplante autólogo, ou seja, do próprio doador. “Segundo dados da ANVISA, em cerca de 20 mil amostras de sangue de cordão congeladas, só uma será utilizada em transplante até os 20 anos de idade do paciente. E mesmo nestes casos, você poderia recorrer à própria medula óssea para obter essas células. Para armazenar por 20 anos, quanto se gastará? O congelamento para uso do próprio doador está muito longe de ser um seguro de vida, como os bancos privados parecem sugerir”, explica o médico hematologista e hemoterapeuta, doutor em ciências médicas pela Faculdade de Medicina da USP, Murilo Chermont Azevedo. “O argumento é que as umbilicais são mais precoces e que assim poderiam ser mais facilmente reprogramadas – mas isto não tem comprovação científica até o momento”, completa.

E mesmo que esse material fosse necessário – no caso de uma (bate na madeira) leucemia, o uso do próprio material genético da criança para um transplante é questionado pelos médicos: “Já se sabe que em casos de leucemias, provavelmente exista uma tendência genética presente desde o nascimento, portanto o transplante de células de cordão da própria pessoa não é considerado como um tratamento curativo. A melhor opção, se houver indicação de transplante de células-tronco, continua sendo a utilização de um doador compatível”, explica o médico. ”Esse material poderia ser útil em casos ainda mais excepcionais, nos quais existe alto risco de doenças genéticas para anemias hereditárias, como a talassemia e a anemia falciforme”, completa. Samuca não tem nenhuma dessas doenças, ainda bem.

Faço ao médico, que ainda não tem filhos, a clássica pergunta de quem fica encurralada e sem argumentos para defender a própria escolha: “E se fosse seu filho? Você não congelaria o sangue do cordão umbilical dele?” A resposta me surpreende, já que o hematologista se mostrou até aqui contrário à prática. “Armazenaria somente na rede pública, para uso em quem precisasse”. A chance desse material ser útil a alguém aumenta se toda a população tiver acesso a ele. As redes nacionais podem ser interligadas às internacionais, aumentando as chances de salvar a vida de alguém. Mas como o sangue do cordão do Samuca está em um banco privado o único que pode usar é meu próprio filho ou a nossa família. Avanço no questionamento: “Doutor, você descartaria esse material se estivesse no meu lugar?”. ”Eu tentaria doar a um banco público até a última possibilidade. Se não fosse possível, descartaria sem crise de consciência. Afinal, a essa altura você já sabe que ele não tem uma dessas raras doenças genéticas e não haveria utilidade em caso de leucemia”, garante.

O desafio agora é esse: tentar doar a um banco público. O próprio médico acredita que isso talvez não seja possível, porque não há como saber as condições de coleta ou mesmo se estavam sendo armazenadas adequadamente. Ninguém fiscaliza isso. Mas e se…? E se??? Fico pensando que uma revolução na medicina pode acontecer da noite para o dia. Não sei o que fazer. A anuidade deste ano já está paga, ou seja, tenho mais um ano para decidir o destino desse tesouro que, por enquanto, não pode deixar ninguém rico. Apenas me deixa, a cada ano, 800 reais mais pobre."

Por Rita Lisauskas

Fonte:

"Ser mãe é padecer na internet. Alguns caracteres sobre a minha melhor função: a de mãe

http://vilamamifera.com/padecernainternet/cai-no-golpe-do-congelamento-em-banco-privado-do-sangue-do-cordao-umbilical-do-meu-filho/