Ahhh então o teu médico disse que tu não tem passagem pra ter um parto natural?!
Pois bem....
"Fala-se em "desproporção céfalo pélvica" (DCP) quando a pelve materna não permite a passagem da cabeça fetal.
A DCP real só é diagnosticada durante o trabalho de parto. Não há
exames de imagem, de medida de ângulos da pelve, ou de toques vaginais
fora do TP que possam prever se há passagem ou não para a cabeça fetal,
até porque todos os diâmetros são maleáveis durante o TP ativo.
Uma
mulher que tem ângulos estreitos da pelve, em TP espontâneo e sob livre
deambulação, procurará instintivamente mudanças de posturas e posições,
que facilitarão a passagem da criança pela pelve. A bacia não é
estática, tem certa mobilidade, e sofre alterações durante toda a
gestação para facilitar o parto (embebimento e frouxidão de ligamentos,
alteração de tônus muscular, mobilidade de articulações habitualmente
rígidas).
Da mesma forma, a cabeça fetal também sofre moldagem,
durante sua adaptação ao canal de parto. isso acontece através de
acavalgamento de suturas do crânio fetal, formação da bossa
serosanguinolenta, flexão e extensão do pescoço e rotação lateral,
dependendo da necessidade para se acomodar à passagem na pelve.
Um
bebê pequeno pode apresentar DCP, se estiver numa posição anômala
(deflexões, assinclitismos), enquanto grandes bebês podem nascer sem
dificuldade_ou seja, o peso fetal não é necessariamente determinante de
DCP.
Não se faz diagnóstico de DCP antes de dilatação praticamente
completa. Esse diagnóstico seria feito após 4 horas sem progressão da
dilatação na fase ativa do TP, e após 3 horas de expulsivo sem
progressão da descida numa primípara ou 2 horas na multípara. Esses
prazos foram estabelecidos recentemente no novo consenso do ACOG sobre
duração do TP.
Por Carla Polido - obstetra.