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25 de setembro de 2014

Desproporção céfalo-pélvica

Ahhh então o teu médico disse que tu não tem passagem pra ter um parto natural?!
Pois bem....

"Fala-se em "desproporção céfalo pélvica" (DCP) quando a pelve materna não permite a passagem da cabeça fetal.
A DCP real só é diagnosticada durante o trabalho de parto. Não há exames de imagem, de medida de ângulos da pelve, ou de toques vaginais fora do TP que possam prever se há passagem ou não para a cabeça fetal, até porque todos os diâmetros são maleáveis durante o TP ativo.
Uma mulher que tem ângulos estreitos da pelve, em TP espontâneo e sob livre deambulação, procurará instintivamente mudanças de posturas e posições, que facilitarão a passagem da criança pela pelve. A bacia não é estática, tem certa mobilidade, e sofre alterações durante toda a gestação para facilitar o parto (embebimento e frouxidão de ligamentos, alteração de tônus muscular, mobilidade de articulações habitualmente rígidas).
Da mesma forma, a cabeça fetal também sofre moldagem, durante sua adaptação ao canal de parto. isso acontece através de acavalgamento de suturas do crânio fetal, formação da bossa serosanguinolenta, flexão e extensão do pescoço e rotação lateral, dependendo da necessidade para se acomodar à passagem na pelve.
Um bebê pequeno pode apresentar DCP, se estiver numa posição anômala (deflexões, assinclitismos), enquanto grandes bebês podem nascer sem dificuldade_ou seja, o peso fetal não é necessariamente determinante de DCP.
Não se faz diagnóstico de DCP antes de dilatação praticamente completa. Esse diagnóstico seria feito após 4 horas sem progressão da dilatação na fase ativa do TP, e após 3 horas de expulsivo sem progressão da descida numa primípara ou 2 horas na multípara. Esses prazos foram estabelecidos recentemente no novo consenso do ACOG sobre duração do TP.


Por Carla Polido - obstetra.