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28 de novembro de 2014

Uma indução desnecessária, pode acabar numa cesárea!

O que eu vou falar aqui me incomoda muito, me deixa mal.
Levanta a mão quem ficou extremamente ansiosa no final da gestação?! o/
Pois é, foi o que eu pensei...
Mas essa ansiedade pode atrapalhar muito pra quem quer um PN.
Muito mesmo!
Pra que não atrapalhe você precisa estar mais que empoderada, você precisa estar segura da sua decisão em esperar o tempo do seu bebê. E isso requer paciência. Paciência pra esperar, paciência com aqueles que enchem o saco pra saber o por que seu bebê ainda não nasceu, paciência com o médico que começa fazer terrorismo e mexer no seu psicológico quando passa das 39 semanas.
Como se não bastasse a sua ansiedade.
É difícil! Eu que sou se não a primeira, a segunda pessoa mais ansiosa da face da terra, sei bem como é! Ô se sei!
Mas eu queria o meu VBAC (parto vaginal após cesárea), então eu tinha que esperar. Só esperando eu ia conseguir.
E como mãe de segunda viagem, eu já sabia que depois dá uma baita saudade da barriga, de sentir os chutes do bebê e que o tempo voa!! Pra que querer acabar tudo de uma vez?!
São só 9 meses do seu filho dentro da barriga e uma vida inteira pela frente com ele aqui fora.
Hoje minha bebê já está com 8 meses, e parece que foi ontem mesmo que eu pari!

Mas o que me fez escrever esse post foi o número de mulheres que cedem a pressão ou da família, ou do médico e com 39/ 40/ 41 semanas são internadas para indução sem sequer sinal de trabalho de parto, ou simplesmente por que a bolsa estourou e elas acham que têm que sair correndo pro hospital.
E o que têm acontecido com elas?!
Essas mulheres não têm parido! Elas acabam numa maca, com braços amarrados, anestesiadas e têm suas barrigas cortadas, pra tirar logo aquele bebê que estava muito bem, obrigada, no lugar mais seguro pra ele. Assim, com pressa. Por que começam a induzir com misoprostol (que pode levar 48h pra começar a fazer efeito), a dilatação não evolui, a equipe não quer esperar, eles querem mais é que acabe logo. Ou assim que ela chega no hospital, não importando como vai o andamento natural da dilatação, já coloca a mulher no soro com ocitocina sintética e o que acontece?! Dores fortes, contrações seguidas, mulher e bebê não têm tempo de se recuperar entre uma e outra.... sofrimento fetal.... cesárea...
Por quê?! Pra quê?!
Se é uma gestante de baixo risco, está indo tudo bem com ela e bebê, por que não esperar?! Qual o problema em esperar o corpo agir sozinho?! Ele vai agir!! Ele iria agir se esperassem!!
Toda mulher entra em trabalho de parto. Todas!!
Isso aqui é um desabafo mesmo! E um alerta pra que outras não passem por isso sem nenhuma necessidade!!
Vamos confiar mais no nosso corpo?!
Lembrem-se que ele foi feito pra isso.
Perfeito pra conceber, gestar, parir e nutrir!
Abaixo, uma cadeia de intervenções. Se puder, evite a primeira!!

27 de novembro de 2014

Recuperação pós cesárea x parto natural

Como foi minha recuperação depois de um parto natural?!
Não foi.... por que não precisei me recuperar de nada!!
Pari naturalmente, sem qualquer intervenção desnecessária, sem nada de que eu precisasse me recuperar.
Pari em cima da minha cama, depois de +- 30 minutos, cortamos o cordão da Isis, pedimos um pizza (todo mundo louco de fome), comi a pizza ainda na cama, sentada tipo índio, logo em seguida me levantei e fui tomar um banho, sozinha, assim, simplesmente!!

Mas se tu me perguntar sobre como foi a minha recuperação depois da cesárea.... aí é outra história....

Pra começar, aquela salinha em que as gestantes ficam, antes de irem para os quartos, é terrível!
Todas lá, sem conseguir se mexer direito, esperando voltar a sentir as pernas, pra daí sim, pode ir para os quartos.
E com uma "pequena" pressão das enfermeiras "Já está conseguindo mexer as pernas, mãezinha? Só vai sair daqui quando conseguir, vamos lá!"

Como se dependesse da nossa vontade, né?!

Enquanto isso, na espera das pernas voltarem a funcionar.... aquela coceeeeeira no nariz causada pela morfina.
Ok. Pernas mexendo e agora, como vou sair dessa maca e passar pra outra?!
Door, muita dor.
Fui pro quarto. Hora de tentar dar de mamá, pq até então nada feito!
Não tive o primeiro contato com o meu filho, aliás fui a última a vê-lo.
Tento me ajeitar de lado mesmo na maca, mas nada....ele não quis mamar.
Aí vem outra enfermeira: "Vamos tomar banho?"
Mais uma luta e um sufoco pra sair da maca. Ufa, consegui!
Mas quando chego no banheiro, vistas escurecem, quase desmaio e tenho que voltar "correndo" pra cama.
Volto a dormir, quando acordo já é de manhã, me levanto, bem devagar... não posso ficar pra sempre ali, né, esperando não sentir mais dor.
Começo a enfim cuidar do meu filho.... e vou me recuperando....

Claro que o "sentir dor" é muito relativo, cada um encara de um jeito, sente de um jeito. Mas uma cesárea sem dor, só na hora da cirurgia, depois vai doer sim!
E quando comparamos o pós de um e outro é por que a diferença é muito grande!!

Não queira passar por uma cirurgia desnecessariamente, não têm por quê!!

4 de novembro de 2014

Vamos conversar sobre parto?!

Senta aqui e vamos conversar?!
Assunto de mulher pra mulher!
Há um pouco mais de 1 ano e meio, quando descobri estar grávida da Isis, descobri também que a cesárea que eu tinha passado com o Arthur, tinha sido desnecessária, e desde então entrei nessa luta pela humanização do parto, e eu sei que não saio mais, é um caminho sem volta!

Hoje em dia me sinto na obrigação de ajudar outras mulheres, de passar adiante toda a informação que recebo, informações que eu não tive na minha primeira gravidez, que com certeza teriam feito o nascimento do Arthur tomar um outro rumo.
Mesmo antes de engravidar, sempre quis um parto normal, achava que querer era o suficiente, e eu estava nos 80% das mulheres que desejam um PN, mas também fiz parte daquelas que por algum motivo (desnecessário), tiveram uma cesárea.
O meu motivo foi por pouco líquido amniótico, estava com 36 semanas e 3 dias, não me deram a opção de induzir o parto, e eu também nem desconfiava que pudesse ser assim, eu ainda estava na matrix, como eu ia desconfiar de médicos que estudaram tanto, não é mesmo?!
E é isso o que acontece com muitas mulheres!
E é por isso que lutamos tanto em defesa do parto humanizado!
O parto normal que é conhecido pela maioria, de normal não tem nada.
É cheio de intervenções desnecessárias, violência obstétrica, que infantiliza a mulher e ela perde toda a sua autonomia no momento mais importante da vida.
Não deixando de lado também o nascimento do bebê, a recepção dele, não tenho como pensar em parto humanizado se o bebê não tiver também uma recepção respeitosa!
Até entendo a escolha pela cesárea, se for comparar esses partos violentos, mas parir não é sinônimo de sofrimento, a dor do parto pode ser muito boa sim e é isso que queremos difundir!!

Algumas das mulheres que escolhem pela cesárea, é pelo medo da dor do parto, mas essas também não sabem de todos os riscos de uma cirurgia eletiva.
Com certeza seus médicos não deixam claro o que pode acontecer com ela e bebê a curto e longo prazo, por que pra maioria o que interessa mesmo é o dinheiro, e quantas cesáreas dá pra se fazer em um dia?!
Várias!!
O nascer no Brasil é quase que uma linha de produção. Milhares de mulheres esperando , a cada meia hora, nasce um bebê, o centro cirúrgico é limpo, entra mais uma, e por aí vai.
Mas e quantos desses bebê nascem  mal, com insuficiência respiratória e precisam ir pra UTI por que foram tirados do útero antes do tempo?!
Vários!!
E alguns médicos ainda fazem as mães acreditarem que se o bebê ficasse mais tempo dentro da barriga, ele poderia morrer, por que vejam só, ele teve que ir pra UTI! A cesárea que salvou a sua vida!! Só que não!
Os bebê, e somente os bebês sabem a hora de nascer! Se é uma gestação de baixo risco, ou como alguns preferem dizer, gestação de risco habitual, se está tudo bem com mãe e bebê, não tem por que interromper a gestação por que está chegando perto da data provável do parto e ainda não há sinais do bebê querer nascer.
Uma gestação pode chegar nas 42 semanas e alguns dias tranquilamente! Claro que quanto mais tarde, mais cuidados se deve ter, mas mais uma vez, se está tudo bem, vamos esperar, o bebê agradece!!

É seu primeiro momento aqui fora e deve ser recebido com todo o respeito. Imaginem que ele está no lugar mais seguro, se sentindo amado, protegido, e isso por 9 meses, aí de repente o arrancam de lá, imaginem o desespero que esse bebê vai sentir?!
Cortam o seu cordão e ele tem que aprender na marra como respirar pelas vias aéreas.
Aquele choro não é bonito, aquele choro é de pânico, medo!

É por essas e muitas outras que somos contra a cesárea eletiva, mas vejam bem, não somos contra quem as faz, entendemos que cada mulher tem o direito e deve escolher o que quiser, mas desde que essa escolha seja informada, e com as informações corretas!!
Por isso as vezes podemos passar por grosseiras, que não medem as palavras, mas não é por mal, não é em tom de ofensa, mas tem certas coisas que devem ser ditas, para que saiam da zona de conforto e pensem de verdade sobre o assunto! Às vezes passar a mão na cabeça e falar manso, não dão resultados. O empoderamento é uma porta que só abre pelo lado de dentro, mas para que isso aconteça, é preciso que se saia da Matrix, que se realmente entenda o que acontece fora dela.

Àquelas mulheres que optaram pela cesárea, sem qualquer indicação, apenas por querer, por achar mais cômodo saber o dia e hora que o filho vai nascer, peço que se desarmem quando ler ou ouvir algo que nós temos a dizer, não é um confronto! Não somos nós x vocês, nós somos todas mulheres, mães e queremos ajudar! Pensamos no bem de vocês e seus filhos!!
Mas se mesmo assim, depois de conhecer todos os prós e contras, a decisão continuar sendo a mesma, você vai estar ciente e será por sua conta e risco, e não poderá dizer que não sabia dos riscos!
Uma das maiores leis da vida é que pra toda ação, há uma reação, e muitas vezes não sabemos o que nos espera, pode fugir do nosso controle!

E não digam mais que não são menos mães por terem feito uma cesárea! Nós, ativistas nunca dissemos isso! Via de nascimento não é "mãezímetro", por mais que pra mim seja uma opção errada, optar pela cesárea sem realmente precisar, por tudo o que eu já disse acima, e pensando no bem da mulher e bebê, você não é menos ou mais mãe, ou ama mais ou menos o seu filho dependendo da forma que ele veio ao mundo!
Só queremos que você entenda que se seu filho nasceu lindo e saudável, vocês tiveram sorte, mas muitas outras não tiveram.
E queremos que saibam que cordão enrolado no pescoço não é emergência, que bebês pélvicos (sentados) também nascem naturalmente, que existem pouquíssimas reais indicações de cesárea, e que qualquer dúvida que surgir, procurem ajuda, procurem grupos de apoio ao parto, não se acomodem, lutem por um momento lindo que é o parto e nascimento sem traumas, sem violência pra ambos!

O trabalho de parto pode ser dolorido, cansativo, pode levar horas ou ser super rápido, mas quando a mulher entende  que deve passar por esse processo, por esse ritual de passagem, que a cada dor, cada contração, é seu filho mais perto de nascer, ele se torna prazeroso, e o parto transformador!! Nenhuma mulher continua sendo a mesma depois de parir. Nos tornamos e nos sentimos mais fortes, poderosas, capazes de tudo!
Não se prive dessa experiência!!
Eu te garanto que é mágico e que você não irá se arrepender!
O se o "problema" for mesmo o medo da dor, procure ajuda e converse com mulheres que pariram!
Se doesse tanto assim, você acha mesmo que íamos querer passar por isso de novo minutos depois de parir?! :)




24 de setembro de 2014

Relato de Parto Humanizado após Cesárea Desnecessária

Esse é o meu relato de parto. Falo um pouco também sobre o nascimento do Arthur, que foi por uma cesárea por falsa indicação, 1 ano e 9 meses antes de parir.
O relato é longo, mas acredito que valha a pena ler até o fim!!

"Enfim pari! Realizei um grande sonho! Mas antes de falar sobre o parto, vou voltar há 1 ano de 10 meses atrás, quando nasceu meu primeiro filho, através de uma cesárea.
Sempre sonhei em ser mãe, minha vontade era tão grande, que as vezes passava pela minha cabeça que eu poderia ser estéril, que não ia conseguir engravidar, não que eu já tivesse tentado, mas vivia pensando nisso.


 Até que em 2011 engravidei, do meu primeiro anjo, o Arthur.
Até mesmo antes de engravidar, nunca fui a favor da cesárea, a não ser nos casos realmente necessários. Mas marcar a data pro bebê nascer, pra mim sempre foi terrível!O único que sabe quando estará pronto pra nascer é o bebê, e ninguém tem o direito de adiantar isso.
Então quando engravidei, não tinha dúvidas que seria normal... se dependesse de mim!
Até as 29 semanas foi uma gestação super tranquila, trabalhava fora, não tive nenhum incômodo!
Mas em uma noite, com quase 30 semanas, tive um falso trabalho de parto, e tive que ficar internada para observação.

Dentro de 3 dias já estava em casa de novo, mas com a recomendação de ficar ao máximo de repouso. Saí do trabalho.
Em umas das idas ao médico, fazer uma eco, viram que eu estava com baixo líquido amniótico, e me internaram de novo. Mas em questão de horas, o líquido já estava na quantia considerada normal. Logo fui pra casa. Se passaram mais algumas semanas, tudo tranquilo. Esperava ansiosa pelo nascimento do Arthur, que estava previsto para até dia 25 de abril. Seria o maior presente que eu e minha mãe poderiamos ganhar de aniversário, já que faço dia 21/04 e minha mãe dia 07/04. Estávamos todos pensando se cairia mais perto do aniversário dela ou do meu.
Então em mais uma manhã, no dia 03/04/12, fui ao hospital pra mais uma eco. E foi mais uma vez constatado oligodrâmio, eu estava com 36 semanas mais 5 dias, e acharam melhor interromper a gestação.