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26 de setembro de 2014

O que ninguém fala sobre o puerpério...


Um pouco mais sobre esse assunto que não é discutido como deveria....

"Quando hoje te encontrei, me vi em suas lágrimas: era a mesma mulher, com o filho nos braços com medo da nova vida.
Engraçado que a gente se prepara tanto para um parto porque parece que essa é a maior luta que vamos enfrentar. Mas bem da verdade são os dias e principalmente as noites escuras e frias da alma que nos transformam na mãe possível.
Eu me vi nos seus olhos cheios de lágrimas e senti o mesmo pulsar desesperado de menina perdida quando nossos corpos unidos estavam no abraço longo. É minha querida amiga, não pude te preparar para esse momento como eu mesma não me preparei.
Aceite: não são dias felizes. Embora a gente tenha uma cria parida e saudável nos braços, o cansaço dos dias, das noites, do períneo partido, da alma fragmentada nos faz perguntar: onde fui me meter?

A nossa vida maravilhosa, cuidando do corpo, da mente, do espírito, parecem intermináveis noites escuras em que não sabemos mais quem somos, para onde vamos e o que restará de nós nesta maluca viagem de ter um filho: um corpo pequeno de pouco mais de 3 quilos que se comunica de uma maneira que não podemos entender.
Crianças choram e não precisamos calar seu choro. Mas sim ouvir, procurar respostas: é fome? é sono? está molhado? E quando todas as respostas estiverem respondidas existem aquelas perguntas que nunca ousamos fazer: ele chora. E nós, algumas vezes, tudo que conseguiremos é chorar junto.
Talvez ninguém tenha te contato sobre isso. Mas acontece em muitos lares. Em quase todos os verdadeiros. Não é cólica, nem gases. É o choro de estar em um ambiente estranho. É às vezes, vontade, de ser amado apesar de. Porque também precisamos ser amadas apesar dos nossos corpos disformes, da nossa alma perdida, dos nossos olhos que vertem lágrimas. Precisamos ser amadas apesar dos lábios que não sorriem e do cabelo há dias sujo.
Existe um segredo: mesmo que você não tenha escolhido ter um filho, mesmo que seja difícil, escolha ser feliz, com as pequenas vitórias diárias.
Escolha fazer de seu filho um companheiro de vida. Caminhe na rua, cante para ele e para a criança pequena que te habita e se sente perdida, impotente e decepcionada com seu novo brinquedo que não funciona como o comercial da televisão fez acreditar que funcionava.

Essa é a vida real. Esse é o puerpério. Não deixe de pedir ajuda, de ligar para as pessoas que você ama. Não deixe de chorar. Somos um bibelô de cristal que foi quebrado aos milhares. Junto com que fomos,  pedaços de  fragmentos de uma nova vida que se remontará muitos meses para frente.
A vida não será igual, mas isso não quer dizer que seja pior. Muito provavelmente depois de passar por esse mangue lamacento você vai achar sua jornada incrivelmente linda. Porque ela é, como você.
Você vai descobrir, depois de um dia exaustivo, o sabor de receber o primeiro sorriso. E saborear a sensação incrível de ver seu bebê crescer e engordar, apenas com seu leite.
De todas as qualidades que maternidade nos traz a humildade é o maior presente que ganhamos.
Aprendemos o valor de uma noite de sono, de um abraço apertado, de um telefone amigo, de um copo de água, de um braço generoso que segura o seu. Aprendemos que somos feitos dos pequenos prazeres, dos míseros avanços e que isso é muito.
Nos tornamos mais gratos, porque, alguém, fez o mesmo por nós, com todos os erros e o maior dos acertos: o amor, porque é ele sim que nos faz seguir pelos dias escuros.
A boa notícia é que tudo isso passa rápido. E um milagre acontece: acredite que você vai esquecer e até sentir saudades.

Só posso dizer: curta esse pequeno ser porque eles crescem rápido demais. E quando você menos perceber ele estará voando longe do seu ninho por tanto tempo que você vai sentir falta do tempo em que só você era o mundo dele."

Fonte:  http://vilamamifera.com/cafemae/verdades-puerperio/

Ahhh o puerpério...

Venho aqui falar pra você, que assim como eu, está com o choro entalado na garganta.
O choro que ninguém, ninguém mesmo vai entender.
Venho aqui te convidar a contar sua história, essa aí, que está aí na sua memória por mais tempo que tenha passado e que te machuca e te faz sentir o peito apertar e o ar faltar.
A história que você não sabe se poderia ter tido um final diferente se você tivesse feito outras escolhas.
Venho aqui te convidar a viver o luto pelo que não aconteceu, pelo que aconteceu. Viver o luto desse sentimento que nem você mesma entende o porquê te sufoca tanto.
Permita-se chorar. Permita-se viver o luto. Não é só a morte física que dói, que traz saudades. A morte de um ideal, de um sonho, de um relacionamento. De um bebê que não vingou, ou que ao invés de estar nos seus braços está na UTI. De um parto que não pariu, de uma amamentação que não aleitou. Dói  ainda mais, porque continuamos a viver aqui, de pé e a vida continua como que ignorando a nossa dor. E todos à nossa volta ignoram essa dor.
Permita-se chorar pela sua própria  morte. Estou falando do puerpério. Esse país de língua desconhecida, paisagens bucólicas e melodia forte. Sim, você morreu. E renasceu como uma outra mulher. Mãe. Morreu e nasceu como mãe de dois, de três, de quatro ou mais? Não importa. A morte aconteceu. E quem está ao seu redor não consegue perceber que você morreu.
Permita-se chorar. E falar sobre os sentimentos emaranhados. Procure a pontinha desse nó de sentimentos e delicadamente puxe. Devagar. Olhe. Olhe para si. No espelho. E procure aquela mulher que você era antes de sua própria morte. E despeça-se dela. Conecte-se com a mulher que você é agora. Acolha-se.
Sim, antes de sua morte você era uma mulher forte. Mas essa mulher morreu e ninguém consegue entender a fragilidade que nasceu com essa nova mulher. Fragilidade que vai perpetuar por algum tempo. E que precisa de cuidado. Quanto tempo? O necessário para essa fragilidade ser notada, cuidada e acolhida.
Permita-se chorar. Permita-se mostrar seu novo eu. Permita-se. Esqueça a mulher forte e empoderada e entregue-se a esse luto. Do que você não viveu.
Permita-se contar sobre o seu luto. Sem medo de ser julgada. Sem medo de ser incompreendida. Sim, não seremos compreendidas, mas isso não importa. Permita-se fortalecer a partir do choro e do grito. Da lágrima. Da palavra. Da reconstrução.

A verdade sobre o puerpério

Pq nem tudo são flores, mas ainda assim pode ser muito bonito.
Nada na vida é sempre bom, na maternidade não seria diferente!



Nossa sociedade vende uma imagem idílica do período após o parto. Basta ver o que aparece no Google quando se digita “puerpério”: fotos de mães sorrindo, bebês tranquilos, tudo muito calmo e iluminado… A visão do paraíso materno. Eu mesma contribuo para isso quando escolho imagens aqui para o blog, tenho que admitir.
Mas não se iluda: o puerpério costuma ser PUNK.
Embora seja mágico ter o seu filho nos braços,  a chegada de um bebê vira a vida da família de ponta cabeça. Além das grandes mudanças de cunho prático (mamadas, higiene, sono etc.), para a mulher em especial tem o agravante de que seu corpo passa por transformações inéditas; independente da via de nascimento, o corpo dói, o útero contrai, os hormônios fluem, os peitos enchem, os mamilos ardem (uns mais, outros menos) e as emoções transbordam. Os órgãos abdominais estão se ajustando, e a sensação de que algo não está muito normal internamente pode ser vivida com estranheza ou até pânico. Quando o nascimento é via cesariana, o corpo precisa se recuperar das lesões; ações corriqueiras como tossir, levantar-se e agachar se tornam delicadas, mesmo quando a dor está sendo medicada ou está suportável. E o termo “cansaço” ganha uma nova dimensão…


No campo emocional, a transformação é ainda mais complexa. A mulher, que antes era alvo de tanto carinho e afeto enquanto grávida, passa a ser praticamente ignorada, já que todos os olhos estão voltados para o bebê. E dá-lhe pitacos, conselhos, julgamentos e orientações (muitas prejudiciais) para cima dela! Mesmo quem tem a sorte de não ser rodeada por gente sem noção vive uma transição monumental. A ansiedade e a idealização que caracterizam o fim da gravidez se transformam em dúvidas, medos, amor (que, às vezes, demora a se manifestar), desconfortos, alegria, cansaço, choro… Tudo junto e misturado, e muito difícil de articular, especialmente quando somente o lado idílico da maternidade é promovido e assimilado pela nossa cultura, como vimos pelo Mestre Google.
Existe uma ausência de informações sobre a experiência do pós-parto (esse relato aqui é uma exceção). A informação disponível é focada no aspecto “médico” ou nas “obrigações de cuidados”. Parte do problema é que quem acompanha a nova família por esse período são os profissionais médicos, o obstetra e o pediatra, que foram treinados para observar e agir sobre a parte física e tangível: como cuidar dos pontos ou do desconforto perineal, o que não fazer no período de resguardo, como fazer a higiene de coto umbilical etc. Os aspectos emocionais são ignorados ou rotulados com termos tipo”baby blues” e”depressão pós-parto”, o que nem sempre ajuda quem está imersa em toda a gama de emoções do pós-parto, mas que não necessariamente sofre de uma condição psiquiátrica (por favor, vejam a NOTA abaixo sobre depressão pós-parto, um assunto sério que deve ser tratado em consultório). 


A vida moderna, por motivos socioculturais e econômicos, infelizmente contribui para dificultar esse período. Antes da família nuclear, quando vivíamos em grupos familiares maiores ou em tribos, a comunidade (de mulheres, geralmente) cuidava intensamente da nova mãe para que ela tivesse a força e o ânimo para cuidar do recém-nascido: massagens, refeições especiais, repouso e resguardo faziam parte desse rito de passagem. A mulher era, literalmente, banhada em afeto e suporte para, assim, nutrir o bebê. Hoje, mesmo com os homens muito mais envolvidos nas tarefas de cuidar, a mulher moderna tem somente uma ou duas (ou no máximo três) outras pessoas para ajudá-la: o companheiro e sua mãe e/ou sogra ou, às vezes, uma profissional contratada para ajudar (babá, enfermeira). E o problema não é só o número e sim a qualidade desse cuidado, que tende a ser pragmático, focado em tarefas relacionadas somente ao bebê. Não há muito espaço para as necessidades emocionais da mãe nessa nova configuração cultural; especialmente quando a própria mulher foge da vulnerabilidade, da incoerência, do intangível (recomendo fortemente esse texto do pediatra Daniel Becker).


Nossa cultura pós-industrial, investida em promover aspectos materiais, concretos e mensuráveis, não consegue dar conta desse aspecto emotivo, ora transcendental ora sombrio. Ao invés de promover a vivência integral desse momento, tanto o bom quanto o ruim, as normas culturais nos chamam para o mundo externo: sentimo-nos na obrigação de pentear o cabelo e receber visitas, servir algo para os amigos e parentes, deixar todos segurarem o bebê, estabelecer rotinas de cuidados e dar algum sentido a toda essa transformação. Tem gente que marca até festas na maternidade, com direito a champanhe e buffet, para comemorar o nascimento, ignorando por completo a delicadeza e a singularidade do pós-parto. E não vou nem entrar no mérito da crueldade que é a cobrança de voltar à forma física de uma mulher sem filhos, como se aquele corpo, ainda dolorido, ainda se doando para outro ser humano, não merecesse as maiores honrarias e o mais sincero carinho pelo milagre que gerou!
Para piorar o quadro, há um fator psicológico contundente, que também é particular a nossa era: o fato de que, em geral, as mães escolheram, desejaram e planejaram esse filho. Se por um lado isso é bom, por outro, gera uma enorme expectativa/idealização. A maternidade, antes um aspecto comum e praticamente inevitável na vida de uma mulher com vida sexual ativa, se tornou uma condição elevada, quase santificada. Afinal, se não houvesse uma certa idealização alguém, com o luxo de escolher, se aventuraria a conhecer essa terra estrangeira de onde ninguém volta sem ser transformado para sempre? No fundo, a questão que nos assombra: “por ter sido desejada e planejada, como aceitar que nem tudo são flores nessa condição que eu escolhi e da qual não posso retornar?”
Não escrevi esse post para assustar ninguém nem para dizer que o puerpério é uma viagem às trevas. Tampouco quero convencê-la a ficar numa caverna lambendo a cria, como nossos antepassados neandertais, ao invés de chamar  as visitas, encomendar os bem-nascidos e realizar a fantasia de ter uma “bonequinha” para chamar de sua enquanto marca sua volta à academia com o personal trainer e liga pra farmácia para garantir o antidepressivo que o médico receitou “em caso de tristeza” (isso foi assunto do último post, hehe). Quero só que você saiba que o puerpério existe, e que é duro, mesmo quando é bom. Embora tenha quem negue ou diminua o fator “punk” do puerpério, a maioria das mulheres relata que os primeiros dias ou semanas após o parto são difíceis, surpreendentes, marcados por altos (cheiro de neném, pele de neném, bebê bêbado de leitinho materno!) e baixos (dúvidas mil, inseguranças, choro, medos inéditos, tristeza). Isso é normal. Isso é louco. Isso é a vida de mãe.

Fonte:  http://amaequequeroser.wordpress.com/2014/07/07/precisamos-falar-sobre-puerperio/

Baby Blues, o que significa?!


O "blues puerperal" ou "baby blues" é um período do pós-parto em que a mulher se sente triste e melancólica. Após toda aquela expectativa para ver o rostinho do bebê, preparativos, ansiedade e tudo mais, quando o bebê nasce parece que a mãe não fica naquela empolgação toda, não fica num mar de felicidade. Na verdade é tudo novo, muitos sentimentos misturados, parece que "a ficha não caiu". isso a faz sentir-se culpada por não estar "radiante". E aí a ansiedade toma conta de tudo, pois a mãe, bem cansada após o parto, deve cuidar de si e do bebê, amamentá-lo, conhecê-lo, entendê-lo. Essa mãe que nasceu junto com o bebê está insegura, pressionada por si mesma e precisa de apoio, acolhimento. Passar por isso é NORMAL!! Após o parto há uma queda acentuada dos hormônios da gravidez e esse processo gera um desequilíbro que varia para cada mulher. O "baby blues" geralmente inicia-se no 3º dia pós-parto e dura por volta de 2-3 semanas. É tão comum que acomete 80% das mulheres: ou seja, é mais comum ter do que não ter. Caso os sintomas não melhorem ou fiquem mais acentuados é preciso avaliação médica para afastar a hipótese de depressão pós-parto. O que fazer para ajudar alguém que está nessa fase? APOIO FAMILIAR: cuidado com comentários inoportunos, faça reforço positivo das atitudes, não sobrecarregue a mãe com outros problemas, procure ajuda em caso de dificuldades de amamentação, faça com que a mãe descanse, ofereça seu ombro e seu ouvido para que ela chore e desabafe COMUNICAR O MÉDICO: comunique o obstetra e o pediatra sobre sintomas de tristeza e angústia. Para você, mamãe, que está passando por isso e se sentindo a pior pessoa do mundo: isso é normal e passa!! Procure outras mães para troca de idéias, converse com seus amigos e familiares, otimize seu tempo com o bebê para poder descansar e parabéns; você ganhou o melhor presente de sua vida.

Fonte: SOS Pediatra