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25 de outubro de 2016

Relato de parto do Otto. (VBAC n°2 - segundo parto vaginal após cesárea)



Em fevereiro desse ano, descobri que seria mãe de novo, do meu terceiro filho.
Foi uma mistura de sentimentos, fiquei apavorada e ao mesmo tempo feliz da vida, ser mãe pra mim, foi o melhor que já me aconteceu.
Me apavorei porque teria que dar conta de três crianças pequenas, mas se esse bebê tinha vindo, é porque eu iria conseguir!
Tinha em mente que eu precisava curtir demais essa gestação, que seria a última. Infelizmente não dá pra se ter mais filhos, se desse, certamente eu teria haha
Então cada centímetro de barriga que crescia eu curtia, tirava fotos praticamente a cada semana.
Sempre me gostei muito grávida, e essa gestação foi a que eu me senti mais bonita.
Quando dizem que nenhuma gravidez é igual a outra, é a mais pura verdade. Foram três gestações totalmente diferentes, do começo ao fim.
Essa foi bem cansativa, principalmente porque eu tinha duas crianças em casa comigo e a rotina era bem pesada.
Os enjôos só passaram perto da 20a semana, quando enfim descobrimos o sexo do bebê, que de Maya, passou para Otto, haha, foi uma grande surpresa, mas como eu já tinha um casal, não estava me importando muito qual sexo seria.
Pra quem conhece um pouco da história de nascimento dos meus dois primeiros filhos, sabe que o Arthur nasceu de uma cesárea (provavelmente desnecessária, por uma falsa indicação), e a Isis nasceu em casa (no "susto" pois foi tudo muito rápido e não tivemos tempo de ir pro hospital, mas foi assistido pela mesma EO que esteve presente no parto do Otto). Então eu não poderia querer outra coisa a não ser parir em casa, depois da experiência linda que eu tive de parir a Isis, de ter o meu tão sonhado VBAC (parto vaginal após cesárea).
Fizemos uma vaquinha pra ajudar a pagar pelo parto domiciliar, e mais uma vez, agradeço a todo mundo que ajudou!
Dessa vez eu desejava muito um parto na água, sempre assistia a videos e imaginava o quão lindo seria, mas também lembrava da rapidez do parto da Isis e morria de medo de não dar tempo nem de encher a piscina haha
Eu pedia pra ter um trabalho de parto mais longo e poder aproveitar mais, e o universo conspirou ao nosso favor, pois no fim deu tudo mais que certo!
Os meses foram passando.... Chegou setembro, mês do chá de fraldas e de outras festinhas, eu sabia que esse final de gestação passaria bem rápido.
E esperava pelo Otto desde o final do mês.
Quando chegou nas 37 semanas, eu jurei que ele nasceria, mas eram só pródromos que já tinham dado as caras.
Terminou Setembro e nada, a dpp era dia 12/10 mas dia 9 trocava a lua....
Era um final de semana, meu marido estaria em casa, seria tudo mais fácil...
Mas na sexta feira, dia 07/10 eu acordei com a barriga bem mais baixa e o tampão que já tinha começado a sair há dois dias, começou a sair com mais frequência e em maior quantidade.
Passei a tarde de sexta com cólica e dor na lombar.
As contrações ficavam um tempo vindo de 10 em 10min, de 8 em 8min, de 7 em 7min... Quando eu resolvia começar a monitorar, elas desregulavam.
Já nem queria criar muita expectativa hahah
Nesse dia as crianças estavam muito mais coladas em mim, elas estavam sentindo que o maninho chegaria a qualquer momento.
E eu sabia que do final de semana não passava.
Chegou a noite, e as contrações voltaram. De 7 em 7 mim, até que depois das 20h elas resolveram ficar e regular de 5 em 5min.
Parteiras já estavam informadas.
E eu feliz da vida!! A grande hora estava chegando e eu estava louca pra passar por tudo aquilo de novo!
Marido chegou do trabalho, fui colocar as crianças na cama, dei o tetê de dormir da Isis, e nisso a minha bolsa estoura.
Eram 22:15.
Avisei as parteiras que já viriam em seguida. Fui pro banho.
Contrações cada vez mais fortes e eu com medo delas não chegarem a tempo, achei melhor até sair de baixo do chuveiro hahah
Uma das minhas cunhadas (a que assistiu o parto da Isis), tbm veio pra ficar com a gente.
Obrigada, cunhada Adriana P Larini Larini pela tua presença aqui, mais uma vez, nesse momento incrível!!
Parteiras chegaram. Montaram a piscina.
E eu voltei pra baixo do chuveiro.
Acho que fiquei quase 1hora, e as contrações vindo cada vez mais fortes.
Quando saí, ainda estavam enchendo a piscina.
Enquanto isso, fiquei na bola, não sei por quanto tempo.
Até que uma hora, me lembro de brincar com elas falando, "se eu disser que não aguento mais, ele nasce?"
Eu sabia que já ia nascer, na contração anterior eu senti ele descer.
Pedi pro meu marido preparar a câmera e colocar pra filmar, por que se não, não ia dar tempo.
A água da piscina ainda não estava muito boa, mas eu precisava entrar.
Tirei minha saia e a calcinha, coloquei o pé na piscina, no começo de uma contração, e no primeiro puxo.
Que sorte! Por pouco eu não teria parido na piscina.
Logo eu senti coroar, a cabecinha saiu, como eu queria sentir isso!
Fiz carinho, senti os cabelinhos... Mais uma força e ele veio. Meu bebê lindo, grande, e todo enrolado no cordão, de tanto que se mexia na barriga Haha
Obrigada, Cleiton Larini por ter ficado ali comigo me fazendo carinho e assistido de pertinho mais um filho nascendo.
Bebê no colo, sensação mais maravilhosa do mundo, que cheiro bom de recém nascido, e aqueles olhinhos e testa franzida me olhando?! Amor demais!!
Se doeu?! Nem lembro haha
Só posso dizer que parir na água é gostoso demais, até a sensação quando está vindo o outro puxo é muito gostosa!
Realizei meu sonho de parir na água e de provar, mais uma vez, que uma vez cesárea, não é sempre cesárea, mesmo!!
Otto nasceu na madrugada do dia 08/10 às 02:01, pesando 3050kg e medindo 52cm com 39 semanas e 3 dias de gestação.
Só tenho a agradecer por tudo ter dado tão certo, como eu desejei a gestação toda!!
Muito obrigada pelo carinho e atenção de vocês com a gente, Luana Santos e Ana Terra Pereira, e por esse partejar com tanto amor!!
*Editando o post só pra acrescentar uma coisa que eu considero importante, em nenhum momento foi feito exame de toque, o que se torna bem indispensável pra quem vai ter um parto domiciliar, apenas foi medido a minha pressão e feito o monitoramento dos batimentos cardíacos fetais.







5 de novembro de 2014

O parto que não é NADA normal!

Muitos já sabem que eu sou ativista do parto humanizado, e que antes de parir minha filha Isis, naturalmente, sem nenhuma intervenção, meu filho Arthur e eu passamos por uma cesárea desnecessária.
Ainda dói, não a cicatriz física, mas a da alma, por não ter passado o momento mais lindo da vida com ele também.
Mas hoje em dia, já me sinto a vontade pra falar sobre o assunto, tanto que me sinto no dever de ajudar outras mulheres a não irem pra faca sem necessidade.

Mas não adianta apenas escapar de uma cesárea e cair num parto normal totalmente violento, nós não queremos só que nosso filho nasça pelas nossas vaginas, nós queremos respeito e carinho, queremos de volta o nosso protagonismo! Que seja respeitada a fisiologia do nosso corpo, que o significado de obstetrícia ( vem da palavra latina "obstetrix", que é derivada do verbo "obstare" - ficar ao lado) seja realmente praticado.
Queremos partos e nascimentos respeitosos!! Com intervenções nos casos que forem mesmo necessárias, não feitas de rotina, como se não soubessem mais como um parto funciona.
A medicina evoluiu sim, mas o corpo da mulher continua sendo perfeito pra parir e nutrir, do mesmo modo que é perfeito pra conceber e gestar!

Abaixo algumas das intervenções desnecessárias mais praticadas e de rotina:

Amniotomia (rompimento artificial da bolsa)


Soro com ocitocina sintética (faz aumentar as contrações e as dores se tornam insuportáveis)


Posição de litotômia (pernas abertas e amarradas)


Manobra de kristeller (ato de empurra o fundo do útero durante uma contração)


Episiotomia (corte feito no períneo, entre a vagina e o ânus)


De todas essas intervenções, a que às vezes pode ser mesmo necessária, é o uso da ocitocina sintética, as outras são só violências com a mulher e bebê.

Isso é violência obstétrica e as mulheres precisam saber que isso não é um parto normal!
A nosso luta pelo parto humanizado ainda vai muito longe, mas aos poucos, as mulheres irão se conscientizar e começarão a exigir seus direitos!

Outas coisas que também podem passar despercebidas, ou consideradas normais: gestante ter que ficar deitada na maca durante o trabalho de parto e ter que ficar em jejum, sem ao menos poder tomar uma água. 
A mulher não só pode como deve sim se movimentar durante o trabalho de parto, e deve se alimentar e se hidratar, para que no momento do expulsivo ela tenha forças e esteja disposta!

Façam um plano de parto um modelo aqui!
Denunciem esse tipo de violência, saiba mais clicando aqui!

O parto humanizado é para todas! 
Gestantes do SUS, do setor privado, de todas as classes!! 
A nossa luta é por todas, para todas e de todos!!


4 de novembro de 2014

Vamos conversar sobre parto?!

Senta aqui e vamos conversar?!
Assunto de mulher pra mulher!
Há um pouco mais de 1 ano e meio, quando descobri estar grávida da Isis, descobri também que a cesárea que eu tinha passado com o Arthur, tinha sido desnecessária, e desde então entrei nessa luta pela humanização do parto, e eu sei que não saio mais, é um caminho sem volta!

Hoje em dia me sinto na obrigação de ajudar outras mulheres, de passar adiante toda a informação que recebo, informações que eu não tive na minha primeira gravidez, que com certeza teriam feito o nascimento do Arthur tomar um outro rumo.
Mesmo antes de engravidar, sempre quis um parto normal, achava que querer era o suficiente, e eu estava nos 80% das mulheres que desejam um PN, mas também fiz parte daquelas que por algum motivo (desnecessário), tiveram uma cesárea.
O meu motivo foi por pouco líquido amniótico, estava com 36 semanas e 3 dias, não me deram a opção de induzir o parto, e eu também nem desconfiava que pudesse ser assim, eu ainda estava na matrix, como eu ia desconfiar de médicos que estudaram tanto, não é mesmo?!
E é isso o que acontece com muitas mulheres!
E é por isso que lutamos tanto em defesa do parto humanizado!
O parto normal que é conhecido pela maioria, de normal não tem nada.
É cheio de intervenções desnecessárias, violência obstétrica, que infantiliza a mulher e ela perde toda a sua autonomia no momento mais importante da vida.
Não deixando de lado também o nascimento do bebê, a recepção dele, não tenho como pensar em parto humanizado se o bebê não tiver também uma recepção respeitosa!
Até entendo a escolha pela cesárea, se for comparar esses partos violentos, mas parir não é sinônimo de sofrimento, a dor do parto pode ser muito boa sim e é isso que queremos difundir!!

Algumas das mulheres que escolhem pela cesárea, é pelo medo da dor do parto, mas essas também não sabem de todos os riscos de uma cirurgia eletiva.
Com certeza seus médicos não deixam claro o que pode acontecer com ela e bebê a curto e longo prazo, por que pra maioria o que interessa mesmo é o dinheiro, e quantas cesáreas dá pra se fazer em um dia?!
Várias!!
O nascer no Brasil é quase que uma linha de produção. Milhares de mulheres esperando , a cada meia hora, nasce um bebê, o centro cirúrgico é limpo, entra mais uma, e por aí vai.
Mas e quantos desses bebê nascem  mal, com insuficiência respiratória e precisam ir pra UTI por que foram tirados do útero antes do tempo?!
Vários!!
E alguns médicos ainda fazem as mães acreditarem que se o bebê ficasse mais tempo dentro da barriga, ele poderia morrer, por que vejam só, ele teve que ir pra UTI! A cesárea que salvou a sua vida!! Só que não!
Os bebê, e somente os bebês sabem a hora de nascer! Se é uma gestação de baixo risco, ou como alguns preferem dizer, gestação de risco habitual, se está tudo bem com mãe e bebê, não tem por que interromper a gestação por que está chegando perto da data provável do parto e ainda não há sinais do bebê querer nascer.
Uma gestação pode chegar nas 42 semanas e alguns dias tranquilamente! Claro que quanto mais tarde, mais cuidados se deve ter, mas mais uma vez, se está tudo bem, vamos esperar, o bebê agradece!!

É seu primeiro momento aqui fora e deve ser recebido com todo o respeito. Imaginem que ele está no lugar mais seguro, se sentindo amado, protegido, e isso por 9 meses, aí de repente o arrancam de lá, imaginem o desespero que esse bebê vai sentir?!
Cortam o seu cordão e ele tem que aprender na marra como respirar pelas vias aéreas.
Aquele choro não é bonito, aquele choro é de pânico, medo!

É por essas e muitas outras que somos contra a cesárea eletiva, mas vejam bem, não somos contra quem as faz, entendemos que cada mulher tem o direito e deve escolher o que quiser, mas desde que essa escolha seja informada, e com as informações corretas!!
Por isso as vezes podemos passar por grosseiras, que não medem as palavras, mas não é por mal, não é em tom de ofensa, mas tem certas coisas que devem ser ditas, para que saiam da zona de conforto e pensem de verdade sobre o assunto! Às vezes passar a mão na cabeça e falar manso, não dão resultados. O empoderamento é uma porta que só abre pelo lado de dentro, mas para que isso aconteça, é preciso que se saia da Matrix, que se realmente entenda o que acontece fora dela.

Àquelas mulheres que optaram pela cesárea, sem qualquer indicação, apenas por querer, por achar mais cômodo saber o dia e hora que o filho vai nascer, peço que se desarmem quando ler ou ouvir algo que nós temos a dizer, não é um confronto! Não somos nós x vocês, nós somos todas mulheres, mães e queremos ajudar! Pensamos no bem de vocês e seus filhos!!
Mas se mesmo assim, depois de conhecer todos os prós e contras, a decisão continuar sendo a mesma, você vai estar ciente e será por sua conta e risco, e não poderá dizer que não sabia dos riscos!
Uma das maiores leis da vida é que pra toda ação, há uma reação, e muitas vezes não sabemos o que nos espera, pode fugir do nosso controle!

E não digam mais que não são menos mães por terem feito uma cesárea! Nós, ativistas nunca dissemos isso! Via de nascimento não é "mãezímetro", por mais que pra mim seja uma opção errada, optar pela cesárea sem realmente precisar, por tudo o que eu já disse acima, e pensando no bem da mulher e bebê, você não é menos ou mais mãe, ou ama mais ou menos o seu filho dependendo da forma que ele veio ao mundo!
Só queremos que você entenda que se seu filho nasceu lindo e saudável, vocês tiveram sorte, mas muitas outras não tiveram.
E queremos que saibam que cordão enrolado no pescoço não é emergência, que bebês pélvicos (sentados) também nascem naturalmente, que existem pouquíssimas reais indicações de cesárea, e que qualquer dúvida que surgir, procurem ajuda, procurem grupos de apoio ao parto, não se acomodem, lutem por um momento lindo que é o parto e nascimento sem traumas, sem violência pra ambos!

O trabalho de parto pode ser dolorido, cansativo, pode levar horas ou ser super rápido, mas quando a mulher entende  que deve passar por esse processo, por esse ritual de passagem, que a cada dor, cada contração, é seu filho mais perto de nascer, ele se torna prazeroso, e o parto transformador!! Nenhuma mulher continua sendo a mesma depois de parir. Nos tornamos e nos sentimos mais fortes, poderosas, capazes de tudo!
Não se prive dessa experiência!!
Eu te garanto que é mágico e que você não irá se arrepender!
O se o "problema" for mesmo o medo da dor, procure ajuda e converse com mulheres que pariram!
Se doesse tanto assim, você acha mesmo que íamos querer passar por isso de novo minutos depois de parir?! :)




3 de novembro de 2014

Cesárea Eletiva x Parto Natural Humanizado

Cesárea Eletiva - tu sabe o dia e hora que o teu filho vai nascer.

Parto Natural - o dia que o teu filho vai nascer é surpresa.

Cesárea Eletiva - tu pode se arrumar toda para o momento da cirurgia.

Parto Natural - tu pode até se arrumar, mas durante o trabalho de parto isso não terá a menor importância.


Cesárea Eletiva - são mais de 70 pontos na barriga.

Parto Natural - períneo sem episiotomia, por que nenhuma mulher precisa. Pode até haver alguma laceração, mas não chegará perto de uma episio, e às vezes não precisa nem dar ponto.


Cesárea Eletiva - tu está anestesiada, não sente dor nenhuma, não sente teu bebê nascer, não sente o hormônio do amor agindo naturalmente. 

Parto Natural - tu está na partolândia, sente as dores das contrações, sente teu bebê descendo e nascendo na força e no grito. Nasceu. A dor desapareceu e a ocitocina toma conta. Amor, amor, amor. Que dá vontade de passar por tudo de novo.

Cesárea Eletiva - passada a anestesia, remédios e mais remédios pra dor. Postura curvada. Cuidado pra rir, tossir ou espirrar. Medo de ir no banheiro fazer cocô. Dificuldade pra cuidar do bebê sozinha.

Parto Natural - bebê nasceu. A vida segue normalmente, naturalmente, com uma única diferença, agora com um bebê lindo pra deixar tudo mais feliz!!

E por favor, não digam mais que fizeram cesárea e foi tudo super tranquilo e sem dor.


Se a escolha pela cesárea foi por não querer sentir dor, no parto vaginal,  a mulher tem o direito de uma analgesia. 
Se informem de todos os teus direitos!

Postei esse post no perfil e grupo do Facebook, também foi compartilhado pela página do filme O Renascimento do Parto.
Deu muito o que falar, muitas pessoas não entenderam e acharam que eu estava falando que as mulheres que optaram pela cesárea não amavam os seus filhos, quando eu estava falando da dor e da ocitocina, hormônio do amor que é liberado durante o TP e parto, ele não é liberado em uma cirurgia.

A intenção do post foi dizer que se a mulher escolhe pela cesárea, pra fugir da dor do parto, ela está enganada. A cesárea pode não doer durante, mas o pós operatório é sim bem dolorido, e o pior é que é o momento em que deveríamos estar bem dispostas para cuidar do bebê.
Mais uma vez eu digo que, há mulheres e mulheres. Algumas sofreram horrores no pós, outras nem tanto. Eu mesma, consegui cuidar sozinha desde o primeiro momento. Quando meu marido chegou no quarto, eu já estava de pé, trocando a roupa do Arthur.
Óbvio que atolada de remédios pra dor. Sentia dor ao sentar, levantar, trocar de roupas, tomar banho, não podia rir muito, pra espirrar ou tossir era bem dolorido.

No parto natural, eu senti as dores do trabalho de parto, pari, a dor sumiu, fiquei sentada na cama com a minha filha no colo, comi um pedaço de pizza, me levantei, tomei meu banho sozinha e pronto. Estava pronta pra parir de novo.

Esse foi um dos pontos do post.

Próxima questão: a emoção, os sentimentos.

Não disse em nenhum momento que quem fez cesárea não sente amor pelo filho. Me referi ao hormônio ocitocina, que não é liberada em uma cirurgia, tanto é que colocam a sintética junto no soro.

Os animais quando não parem seus filhotes, e/ou alguém os pega antes que a mãe veja, ela costuma rejeitar, claro que o mesmo não acontece com a gente, humanos, pq pensamos, somos racionais, mas tbm não acontece a liberação de ocitocina durante a cesárea, o que não dá aquela explosão de amor, de sentimentos, de emoção quando vemos o nosso filho.
O que é totalmente diferente em um parto natural, quando nós fazemos o nosso filho nascer, quando nós sentimos ele nascer, e isso não sou eu que falo, não é achismo, é um fato!

Não é mais ou menos amor! É o que se sente na hora do nascimento, e têm sim diferença!! Ô se tem!!
Só quem passou pelas duas experiência pode afirmar isso.
Quando eu vi o Arthur, depois de todos, quando ele já estava limpinho e embrulhado, eu amei ele, mas foi um sentimento diferente, meio ainda sem saber direito o que fazer, eu sabia que ele era o meu filho, que eu o amava, que ele estava dentro de mim, e que naquele momento não estava mais...

Quando eu pari a minha filha, foi uma sensação totalmente diferente, inexplicável! A ocitocina já estava trabalhando há muito tempo...

Odent mesmo disse uma vez "o que será da humanidade se todos nascerem de cesárea?! Que fim levará o hormônio do amor?!"

O leite materno mesmo, demora mais pra descer após uma cesárea.... pq?!
Mais uma vez o hormônio....




 





Michel Odent fala sobre parto, nascimento e ocitocina

Michel Odent,  obstetra francês conhecido pelos conceitos de sala de parto como casa e da utilização das piscinas de parto. Fundador do centro de pesquisa: Primal Health Research Center em Londres. Possui 12 livros publicados em 22 línguas e mais de 50 artigos científicos.
Ele defende a “mamiferização” do parto, que é como chama o conjunto de ações que fazem com que o nascimento respeite as condições inatas da mulher. Quanto mais máquinas, especialistas por perto e iluminação, menor a segurança da mulher no momento em que ela precisa estar tranquila para dar à luz, diz Odent. O bebê deveria ficar com a mãe assim que nasce e ser amamentado na primeira hora de vida. Sempre lembrando que somos animais, o obstetra fala sobre a fisiologia do parto, sobre os hormônios e substâncias ligadas ao nascimento e ao medo, que podem causar dor.


 Abaixo entrevista para Gazeta do Povo:

No Brasil, preconiza-se o parto humanizado que, além de prever a presença do pai ou acompanhante na sala, propõe que o bebê fique no quarto com a mãe logo depois do nascimento. O que o senhor considera parto humanizado?
Entendo o parto humanizado de uma maneira diferente. É preciso redescobrir o nascimento, libertar-se de tudo quanto é crença e ritual milenar ou cultural, eliminando o que é especificamente humano. A começar pela linguagem, que é o método humano de comunicação. É preciso satisfazer as necessidades universais específicas de mamíferos, como, por exem­­­plo, ter segurança. Na floresta, se uma fêmea está para ter um filhote e percebe que há um predador por perto, vai liberar adrenalina, essencial em uma situação de emergência na necessidade de partir para a luta. Essa adrenalina vai bloquear o parto, postergar o nascimento. A segurança é uma necessidade básica para qualquer mamífero. Outra necessidade básica é não se sentir observado. Então, mais do que humanizar o parto, é preciso “ma­­­­miferizar” o nascimento e por isso essa expressão parto hu­­­manizado não tem o mesmo sig­­­­nificado para mim. Humanizar é usar um número grande de ferramentas, é a cesária.

O Brasil é considerado um dos campeões em números de cesárias. O senhor acha que isso é uma consequência cultural ou uma escolha médica?
O Brasil não é exatamente o campeão em número de cesárias. Encontramos número ele­­­­­vado em todos os países onde existe um grande número de mé­­­­­dicos obstetras e nos quais as parteiras desapareceram. Aconte­­­ce em todas as grandes cidades da Amé­­­­­rica Latina, chinesas, indianas, coreanas, iranianas, ou em qualquer parte do mundo onde o número de médicos especialistas é grande.

Na sua opinião, qual é o principal argumento para convencer as brasileiras de que o parto normal é melhor do que a cesária?
Não sei se o objetivo é convencer. Não gosto de usar essa palavra porque o que busco é compreender qual a necessidade básica da mulher. Tive a oportunidade de conversar com estudantes do Rio de Janeiro, adolescentes, e elas afirmaram que gostariam de ter parto normal. Então, creio que o obstáculo está em entender a necessidade das mulheres.

O medo da dor no parto e as facilidades de equipamentos encontradas hoje nos hospitais faz com que muitas mulheres, principalmente das classes média e alta, optem pelo parto cesáreo. O que diria a elas?
Quanto mais difícil é o parto, maior a dor. É preciso aprender a ter partos fáceis. Quando são fáceis, o sistema fisiológico protege a mulher da dor porque o nascimento é eficaz. É o parto que libera uma boa quantidade de endorfina pelo cérebro, assim como a ocitocina, fazendo com que a dor fique de lado. Ou pelo menos ela não é tão percebida. Quando existe esse equilíbrio, mesmo que haja dor, as mulheres a esquecem logo em seguida ao parto, ao contrário de quando há uma quantidade desequilibrada desses hormônios, quando há presença da adrenalina. Para que esse parto mais tranquilo aconteça, é preciso que o ambiente seja propício. O que aprendi em 50 anos acompanhando partos, seja em casa ou no hospital, é que o ambiente facilita o procedimento e reduz a dor. Esse ambiente deve ser silencioso, sem tanta gente em volta observando, sem tanta luz. Quanto mais simples, mais eficaz é o parto. Para isso é preciso compreender a fisiologia do parto e redescobrir o que é mais simples.

Recentemente, a modelo Brasi­­­­leira Gisele Bündchen teve um parto em casa, em uma banheira, o que despertou curiosidade sobre esse modelo de parto. Está se tornando comum? Quais as condições para esse tipo de parto, em casa?
A mulher que vai ter o bebê necessita se sentir segura e para isso não há uma regra para todas. Ela pode se sentir segura em casa, com uma parteira, ou perto de máquinas. São mulheres diferentes, mas que têm a mesma necessidade de segurança. Hoje o parto domiciliar é possível em uma sociedade urbana na qual as mu­­­­lheres vivem perto dos melhores hospitais. O ideal seria combinar o que há de bom em casa com o que há de bom no hospital.

http://www.gazetadopovo.com.br/viverbem/conteudo.phtml?id=998399&ch=

Entrevista para a revista Pais & Filhos:

Nós sempre começamos a entrevista falando da origem do entrevistado, sobre a família, os pais... Eu queria começar pela profissão dos seus pais.
Nasci em um vilarejo a 80 quilômetros de Paris que se chama Bresles. Minha mãe era professora no berçário do sistema público francês e meu pai era contador na usina de açúcar local. O interessante é que minha mãe foi uma das primeiras professoras de berçário da França influenciada por Maria Montessori [médica e educadora italiana, fundadora do método Montessori, que tem como base os conceitos de atividade, individualidade e liberdade]. Isso foi logo após a Primeira Guerra Mundial, em torno do ano de 1919. Minha mãe ficou impressionada pelo que ela ensinava, foi a Paris para assistir a uma palestra dela e isso foi o começo de tudo.

Gostaria de saber como foi o seu nascimento.
Nasci em casa, em 1930, com a única parteira do vilarejo. Meu pai estava em casa, mas não entrou no quarto. Eu sou o filho mais velho e, de acordo com a minha mãe, o dia do meu nascimento foi o mais feliz da vida dela. Ela teve a primeira contração às 22h e eu nasci à meia-noite.

Ficavam só a sua mãe e a parteira no quarto?
Eu acho que era a minha mãe, a mãe dela, minha avó, que estava morando no vilarejo. Naquela época o parto era uma coisa de mulher. O pai não entrava no quarto.

Você acredita que a maneira como você nasceu tem alguma influência no seu trabalho, na sua vida?
É difícil saber. Nós somos expostos a tantas influências que é difícil analisar e dizer o que provocou um efeito em uma instância de indivíduo. É impossível dizer. Você pode analisar o efeito em um grande número de pessoas. O resultado de todos os estudos que tenho acompanhado dizem que o período mais crítico é o momento do nascimento, porque é o momento em que acontece a interação dos genes com o ambiente. Atualmente não se fala em quais são os fatores de risco, mas quando acontece essa exposição, o timing. Por exemplo, crianças autistas estão dentro da média em relação ao resto da população no que diz respeito ao peso, circunferência da cabeça e peso da placenta, então você percebe que aquilo que acontece antes do nascimento não é tão importante. Apesar de todos os modismos, não existe nenhum estudo que demonstra a relação entre certas vacinas dadas a bebês e o surgimento de autismo. Temos razões para acreditar que a indução do trabalho de parto é um importante fator de risco.

De onde vem essa teoria?
Estamos fazendo uma pesquisa em Málaga, na Espanha, para testar se a exposição à forma sintética do hormônio da ocitocina durante o trabalho de parto pode ser um fator de risco para o autismo. Parece que a ocitocina sintética pode atravessar a placenta, chegar até o bebê e atingir sua circulação. E quando chega ao cérebro dele, pode interferir no desenvolvimento, em particular do sistema de ocitocina do feto e isso pode causar problemas para sintetizar ocitocina.

A ocitocina é o hormônio do amor, certo?
A ocitocina tem ação dupla: ela contrai o útero, possibilitando o nascimento do bebê e a saída da placenta. Por isso é o hormônio mais importante para o nascimento. Além disso, é ela a responsável por contrair os dutos mamários para que o leite materno seja liberado. O hormônio permite que o útero seja contraído também durante o orgasmo. E a ocitocina é responsável até pela ejaculação, já que ela manda uma mensagem para a próstata e vesícula seminal para que se contraiam. Tudo isso é a função mecânica da ocitocina. Agora descobrimos que ela tem um importante papel no âmbito comportamental. E podemos resumir dizendo: qualquer que seja a faceta do amor, a ocitocina está sempre envolvida.
Como você chegou a essa conclusão?
No nosso estudo, em Málaga, contamos com um grande hospital, com seis mil nascimentos por ano. Lá, acompanhamos bebês nascidos em 2006, que agora tem cinco anos, e sabemos tudo sobre como eles nasceram, os medicamentos a que foram expostos. Entrevistamos suas famílias e procuramos por autismo e outras patologias. Também verificamos a qualidade e duração do aleitamento materno, já que, em teoria, altos níveis de ocitocina sintética aplicada durante o trabalho de parto podem tornar os receptores dos seios menos sensíveis na hora da descida do leite. O amplo uso de ocitocina deve explicar porque tantas mulheres têm dificuldade em amamentar.

Qual é a solução para evitar o uso de ocitocina, caso a mulher não entre em trabalho de parto até 42 semanas?
Você pode monitorar o bebê diariamente, se ele estiver bem não há motivo para tirá-lo do útero. O trabalho de parto é um processo involuntário e como tal, você não pode apressá-lo. É como se você pedisse ao seu esôfago para se contrair mais rapidamente. A ideia em voga atualmente é: “Você não pode parir sozinha”, você precisa de um treinador, alguém que possa te dizer quando fazer força, como tem que respirar, se você está em uma boa posição... Não! O que a mulher precisa é ser protegida de interferências que possam inibir o trabalho de parto. Ela não pode usar a área do cérebro ligada ao intelecto, ela tem que usar as estruturas arcaicas do cérebro. Um conceito físico que pode ser útil é o antagonismo entre adrenalina e ocitocina: quando os mamíferos liberam adrenalina eles não pode liberar ocitocina. Os mamíferos liberam a adrenalina em situações de emergência, particularmente quando estão assustados, quando se sentem observados ou quando estão com frio.

E após o nascimento, o que é mais importante para o bebê?
Temos algumas razões para manter otimismo, apesar de nos encontrarmos no fundo do poço. Descobertas científicas do século 20 nos levaram a acreditar no óbvio: o bebê precisa de sua mãe. Pode parecer óbvio para as gerações mais novas, mas para a minha não era. Antigamente os bebês eram separados de suas mães ao nascer. Hoje, graças à ciência moderna, sabemos que o bebê tem que ficar com a sua mãe quando nasce, que o leite materno é a melhor fonte de alimento e que a mãe é a melhor incubadora que existe. Os estudos nos mostraram o que aprendemos com os outros mamíferos. Com os outros mamíferos há um apego estabelecido imediatamente após o nascimento da cria. Com isso, aprendemos que o corpo do bebê deve ser colonizado por “germes amigos”, as bactérias que estão no corpo da mãe. No mundo ideal o contato do bebê recém-nascido deveria acontecer somente com uma pessoa, sua mãe. É incrível que tenhamos precisado da ciência para descobrir isso!

Você estava presente no parto dos seus filhos?
Para o nascimento da primeira, Sylvie, que nasceu em 1958, não pude estar lá. Na época o pai nunca ficava na sala de parto, além disso, eu estava na Argélia a serviço militar. Para o segundo, Christophe, estive presente por sorte. Estava almoçando e minha mulher falou: “Eu acho que o bebê está descendo”. Antes de voltar ao hospital a examinei e ela estava com cinco centímetros de dilatação, em trabalho de parto! Então eu disse: “Preciso voltar ao hospital, venha comigo”. Chegamos e ela deu à luz logo depois! O último foi Pascal, a mãe dele tinha 38 anos, era seu primeiro filho, e a gravidez era considerada de alto risco porque ela tinha esclerose múltipla. Por isso, ela quis dar à luz em casa e tínhamos que ligar para duas parteiras amigas nossas porque em 1985 eu não era registrado como médico na Inglaterra. Então foi uma situação ideal: estávamos só nós dois em casa e ela estava sozinha no quarto. Mas eu sempre encontrava uma desculpa para não estar com ela diretamente. Resultado: o bebê nasceu três horas depois da primeira contração. A parteira chegou na mesma hora que ele! Ela deu à luz no banheiro, eu estava lá, mas por sorte, mais uma vez.

Qual é a sua formação?
Ironicamente não me formei como obstetra, sou cirurgião. Em 1962 trabalhei em um hospital de uma cidade a 80 quilômetros de Paris, era o encarregado pela unidade de cirurgia. Extraoficialmente, por eu saber a técnica da cesárea, fiquei responsável pela maternidade também. Conforme conversava com as parteiras, me tornava mais interessado pela psicologia do parto e entendi que muitas regras aplicadas por lá eram reais. Então mudamos as regras para tudo, mas não foi do dia para a noite, isso levou anos.

Como vocês quebravam as regras?
Substituímos a tradicional sala de parto por uma salinha que se parecia com o quarto de uma casa, para que a mulher pudesse esquecer que estava em um hospital. Trouxemos um piano e convidamos as grávidas para cantar, se familiarizar com o lugar e com as parteiras. Compramos uma piscina inflável e usamos como opção de alívio da dor, no lugar dos medicamentos. Quando cheguei ao hospital em 1962 eram 200 partos por ano, e em 1977 eram mil nascimentos por ano. Continuei como o único médico da maternidade, com seis parteiras. Me falaram de uma maternidade com 800 partos por ano e 15 obstetras. Então quando digo que fui o responsável, sozinho, por mil partos, os outros médicos não podem acreditar! E eu nem sou obstetra!

http://www.paisefilhos.com.br/bebe/michel-odent

24 de setembro de 2014

Relato de Parto Humanizado após Cesárea Desnecessária

Esse é o meu relato de parto. Falo um pouco também sobre o nascimento do Arthur, que foi por uma cesárea por falsa indicação, 1 ano e 9 meses antes de parir.
O relato é longo, mas acredito que valha a pena ler até o fim!!

"Enfim pari! Realizei um grande sonho! Mas antes de falar sobre o parto, vou voltar há 1 ano de 10 meses atrás, quando nasceu meu primeiro filho, através de uma cesárea.
Sempre sonhei em ser mãe, minha vontade era tão grande, que as vezes passava pela minha cabeça que eu poderia ser estéril, que não ia conseguir engravidar, não que eu já tivesse tentado, mas vivia pensando nisso.


 Até que em 2011 engravidei, do meu primeiro anjo, o Arthur.
Até mesmo antes de engravidar, nunca fui a favor da cesárea, a não ser nos casos realmente necessários. Mas marcar a data pro bebê nascer, pra mim sempre foi terrível!O único que sabe quando estará pronto pra nascer é o bebê, e ninguém tem o direito de adiantar isso.
Então quando engravidei, não tinha dúvidas que seria normal... se dependesse de mim!
Até as 29 semanas foi uma gestação super tranquila, trabalhava fora, não tive nenhum incômodo!
Mas em uma noite, com quase 30 semanas, tive um falso trabalho de parto, e tive que ficar internada para observação.

Dentro de 3 dias já estava em casa de novo, mas com a recomendação de ficar ao máximo de repouso. Saí do trabalho.
Em umas das idas ao médico, fazer uma eco, viram que eu estava com baixo líquido amniótico, e me internaram de novo. Mas em questão de horas, o líquido já estava na quantia considerada normal. Logo fui pra casa. Se passaram mais algumas semanas, tudo tranquilo. Esperava ansiosa pelo nascimento do Arthur, que estava previsto para até dia 25 de abril. Seria o maior presente que eu e minha mãe poderiamos ganhar de aniversário, já que faço dia 21/04 e minha mãe dia 07/04. Estávamos todos pensando se cairia mais perto do aniversário dela ou do meu.
Então em mais uma manhã, no dia 03/04/12, fui ao hospital pra mais uma eco. E foi mais uma vez constatado oligodrâmio, eu estava com 36 semanas mais 5 dias, e acharam melhor interromper a gestação.

Parto Humanizado - o que é?!

E você, sabe o que é um parto humanizado?!

"Temos ouvido muito falar sobre parto humanizado. No youtube os vídeos de parto se multiplicam, os programas de televisão trazem o tema, as vezes a favor, as vezes contra. Surgiram politicas publicas incentivando o tal parto humanizado. Até um documentário, “O Renascimento do Parto”, foi exibido em cinemas de todo o Brasil no ano passado. Porém, não está bem claro o que é essa “modalidade” de parto. Mas antes de dizer o que é a humanização da assistência ao parto vamos primeiro esclarecer o que ela não é!

A humanização do parto NÃO é:                                          

- Modinha, tão pouco algo novo.
- Sinônimo de parto normal. 
- Forçar um parto vaginal de qualquer jeito, mesmo tendo riscos para mãe e bebê.
- Parto domiciliar, parto na água, parto de cócoras, mesmo que esses tipos de parto sejam geralmente humanizados.
- Desligar a luz da sala de parto, acender velas e colocar música ambiente, mesmo que isso também possa fazer parte do parto humanizado.
- Coisa de hippie, vegetarianos e yogues ou membros de alguma seita.
- Coisa de gente ignorante que não reconhece a importância dos avanços científicos.
- Coisa de atrizes e gente rica 

A medicalização do parto, no seu inicio, tinha uma grande missão, que era diminuir a morbidade e a mortalidade materna e fetal, na época era mais seguro parir no hospital, já que não existia um acompanhamento pré-natal de qualidade e o resultado da gestação era sempre uma surpresa. Porém, hoje essa medicalização chegou a um ponto insustentável, não se usa mais as intervenções de forma coerente, sendo um pacote básico usado para praticamente todas as parturientes.