25 de outubro de 2016

Relato de parto do Otto. (VBAC n°2 - segundo parto vaginal após cesárea)



Em fevereiro desse ano, descobri que seria mãe de novo, do meu terceiro filho.
Foi uma mistura de sentimentos, fiquei apavorada e ao mesmo tempo feliz da vida, ser mãe pra mim, foi o melhor que já me aconteceu.
Me apavorei porque teria que dar conta de três crianças pequenas, mas se esse bebê tinha vindo, é porque eu iria conseguir!
Tinha em mente que eu precisava curtir demais essa gestação, que seria a última. Infelizmente não dá pra se ter mais filhos, se desse, certamente eu teria haha
Então cada centímetro de barriga que crescia eu curtia, tirava fotos praticamente a cada semana.
Sempre me gostei muito grávida, e essa gestação foi a que eu me senti mais bonita.
Quando dizem que nenhuma gravidez é igual a outra, é a mais pura verdade. Foram três gestações totalmente diferentes, do começo ao fim.
Essa foi bem cansativa, principalmente porque eu tinha duas crianças em casa comigo e a rotina era bem pesada.
Os enjôos só passaram perto da 20a semana, quando enfim descobrimos o sexo do bebê, que de Maya, passou para Otto, haha, foi uma grande surpresa, mas como eu já tinha um casal, não estava me importando muito qual sexo seria.
Pra quem conhece um pouco da história de nascimento dos meus dois primeiros filhos, sabe que o Arthur nasceu de uma cesárea (provavelmente desnecessária, por uma falsa indicação), e a Isis nasceu em casa (no "susto" pois foi tudo muito rápido e não tivemos tempo de ir pro hospital, mas foi assistido pela mesma EO que esteve presente no parto do Otto). Então eu não poderia querer outra coisa a não ser parir em casa, depois da experiência linda que eu tive de parir a Isis, de ter o meu tão sonhado VBAC (parto vaginal após cesárea).
Fizemos uma vaquinha pra ajudar a pagar pelo parto domiciliar, e mais uma vez, agradeço a todo mundo que ajudou!
Dessa vez eu desejava muito um parto na água, sempre assistia a videos e imaginava o quão lindo seria, mas também lembrava da rapidez do parto da Isis e morria de medo de não dar tempo nem de encher a piscina haha
Eu pedia pra ter um trabalho de parto mais longo e poder aproveitar mais, e o universo conspirou ao nosso favor, pois no fim deu tudo mais que certo!
Os meses foram passando.... Chegou setembro, mês do chá de fraldas e de outras festinhas, eu sabia que esse final de gestação passaria bem rápido.
E esperava pelo Otto desde o final do mês.
Quando chegou nas 37 semanas, eu jurei que ele nasceria, mas eram só pródromos que já tinham dado as caras.
Terminou Setembro e nada, a dpp era dia 12/10 mas dia 9 trocava a lua....
Era um final de semana, meu marido estaria em casa, seria tudo mais fácil...
Mas na sexta feira, dia 07/10 eu acordei com a barriga bem mais baixa e o tampão que já tinha começado a sair há dois dias, começou a sair com mais frequência e em maior quantidade.
Passei a tarde de sexta com cólica e dor na lombar.
As contrações ficavam um tempo vindo de 10 em 10min, de 8 em 8min, de 7 em 7min... Quando eu resolvia começar a monitorar, elas desregulavam.
Já nem queria criar muita expectativa hahah
Nesse dia as crianças estavam muito mais coladas em mim, elas estavam sentindo que o maninho chegaria a qualquer momento.
E eu sabia que do final de semana não passava.
Chegou a noite, e as contrações voltaram. De 7 em 7 mim, até que depois das 20h elas resolveram ficar e regular de 5 em 5min.
Parteiras já estavam informadas.
E eu feliz da vida!! A grande hora estava chegando e eu estava louca pra passar por tudo aquilo de novo!
Marido chegou do trabalho, fui colocar as crianças na cama, dei o tetê de dormir da Isis, e nisso a minha bolsa estoura.
Eram 22:15.
Avisei as parteiras que já viriam em seguida. Fui pro banho.
Contrações cada vez mais fortes e eu com medo delas não chegarem a tempo, achei melhor até sair de baixo do chuveiro hahah
Uma das minhas cunhadas (a que assistiu o parto da Isis), tbm veio pra ficar com a gente.
Obrigada, cunhada Adriana P Larini Larini pela tua presença aqui, mais uma vez, nesse momento incrível!!
Parteiras chegaram. Montaram a piscina.
E eu voltei pra baixo do chuveiro.
Acho que fiquei quase 1hora, e as contrações vindo cada vez mais fortes.
Quando saí, ainda estavam enchendo a piscina.
Enquanto isso, fiquei na bola, não sei por quanto tempo.
Até que uma hora, me lembro de brincar com elas falando, "se eu disser que não aguento mais, ele nasce?"
Eu sabia que já ia nascer, na contração anterior eu senti ele descer.
Pedi pro meu marido preparar a câmera e colocar pra filmar, por que se não, não ia dar tempo.
A água da piscina ainda não estava muito boa, mas eu precisava entrar.
Tirei minha saia e a calcinha, coloquei o pé na piscina, no começo de uma contração, e no primeiro puxo.
Que sorte! Por pouco eu não teria parido na piscina.
Logo eu senti coroar, a cabecinha saiu, como eu queria sentir isso!
Fiz carinho, senti os cabelinhos... Mais uma força e ele veio. Meu bebê lindo, grande, e todo enrolado no cordão, de tanto que se mexia na barriga Haha
Obrigada, Cleiton Larini por ter ficado ali comigo me fazendo carinho e assistido de pertinho mais um filho nascendo.
Bebê no colo, sensação mais maravilhosa do mundo, que cheiro bom de recém nascido, e aqueles olhinhos e testa franzida me olhando?! Amor demais!!
Se doeu?! Nem lembro haha
Só posso dizer que parir na água é gostoso demais, até a sensação quando está vindo o outro puxo é muito gostosa!
Realizei meu sonho de parir na água e de provar, mais uma vez, que uma vez cesárea, não é sempre cesárea, mesmo!!
Otto nasceu na madrugada do dia 08/10 às 02:01, pesando 3050kg e medindo 52cm com 39 semanas e 3 dias de gestação.
Só tenho a agradecer por tudo ter dado tão certo, como eu desejei a gestação toda!!
Muito obrigada pelo carinho e atenção de vocês com a gente, Luana Santos e Ana Terra Pereira, e por esse partejar com tanto amor!!
*Editando o post só pra acrescentar uma coisa que eu considero importante, em nenhum momento foi feito exame de toque, o que se torna bem indispensável pra quem vai ter um parto domiciliar, apenas foi medido a minha pressão e feito o monitoramento dos batimentos cardíacos fetais.







12 de maio de 2015

Células Mamárias recordam a Amamentação

Nosso corpo é realmente perfeito!!

"Na primeira gravidez de qualquer mulher, acontecem milhares de alterações físicas. Uma das mais visíveis acontece no sistema mamário que, durante nove meses, se prepara para alimentar o bebé recém-nascido. Passada a fase do aleitamento, poder-se-ia pensar que as mamas voltavam ao ponto inicial mas, de acordo com uma equipa de investigadores norte-americanos, a realidade não é essa. Não só os ductos mamários nunca regressam às caraterísticas prévias, como possuem uma “memória” genética que é reativada em cada nova gravidez, facilitando o regresso hormonal ao “modo amamentação”.

Durante a gestação, o sistema mamário é ativado pelas hormonas estrogénio e progesterona. As células dividem-se e formam milhares de ductos – ou pequenas ‘bolsas’ – preparadas para se encherem de colostro e, posteriormente, de leite. Algumas mulheres chegam a produzir líquido mesmo antes de o bebé nascer, tal é a força hormonal envolvida.

A hipótese colocada pelos investigadores do “Cold Spring Harbor Laboratory” (uma instituição privada que, desde 1890, se dedica, entre outras áreas, a estudos sobre genética humana) é a de que a primeira gravidez altera para sempre os recetores genéticos mamários das duas hormonas. E, através de estudos laboratoriais com cobaias, descobriram que isso é verdade. Ou seja, as células ficam preparadas para dar de mamar ao primeiro bebé e a produzir colostro e leite rapidamente para todos os bebés que se seguirem.

Camila dos Santos, uma das investigadoras, afirma que as células envolvidas agem como se “já conhecessem as hormonas”, reagindo através da expansão mais precoce e mais rápida dos ductos mamários. E esta memória, acrescentou em entrevista ao jornal científico “Cell Reports”, permanece ativa durante toda a idade fértil da mulher."



Fonte: Pais & Filhos

10 de maio de 2015

Cerimônia de posse da nova diretora do GHC/Minha homenagem do dia das Mães

E ontem, dia 09/05/2015, véspera do dia das mães, foi um dia muito gratificante!!
Após a cerimônia de posse da superintendente Sandra Fagundes, com a presença do ministro da saúde, Arthur Chioro, uma homenagem ao dia das mães em que eu fui convidada a ser homenageada também por estar na luta pelo parto humanizado! ❤️

Ter o reconhecimento do que se faz com tanto prazer e carinho é lindo demais!!
Só tenho que agradecer, foi uma baita surpresa!!! 

E continuarei por esse caminho... 🙏😍😄






3 de abril de 2015

Relato de Parto Natural Domiciliar - Lindo!!

Relato de Parto da Danielle Juliá Lopes Brites.

"Finalmente saiu o meu Relato de Parto! Como eu ansiei por esse dia! Quando estava grávida, lia relatos lindíssimos e não via a hora de poder dar o meu relato também! Bem, aí está!
Quando engravidei da Isabela comecei a assistir vídeos relacionados a bebês e num desses vídeos ouvi dizer sobre o filme O Renascimento do Parto. Decidi assistir.
Eu já tinha ouvido falar sobre parto humanizado, mas não tinha uma noção verdadeira sobre o que realmente é um parto humanizado.
Antes, tudo o que eu queria era ter convênio, pois achava que tudo o que eu havia sofrido nos meus dois partos anteriores era porque tinha sido num hospital público. Em parte foi, mas assistindo ao filme, vi que num hospital privado as minhas chances de ter um parto normal diminuíam drasticamente.
O filme, as pesquisas que fiz e outros vídeos que assisti me abriram os olhos pra muitas coisas, inclusive pras violências obstétricas que acontecem diariamente e que a gente acha que é “normal”.
Eu fui vítima de violência obstétrica nos meus dois partos e eu nem sabia disso. Achava, até então, que tudo o que havia acontecido comigo era procedimento normal e que era realmente necessário. Infelizmente todos os dias milhares de mulheres são vítimas de violência obstétrica e nem sequer sabem disso. Infelizmente também, milhares de mulheres acham que parto normal é ruim, é sofrido, é doloroso porque acham que tudo o que aconteceu com elas fazia parte de um parto normal.
Eu te digo que não faz parte! Eu vivenciei um parto normal de verdade, onde não sofri, onde me entreguei, onde curti cada momento, onde senti prazer a cada contração, onde senti dor sim, mas uma dor gostosa, uma dor que trazia pra mim a minha filha, onde tive vontade de ter mais filhos, só pelo simples prazer de PARIR novamente!

Bem, depois que assisti ao filme, comecei a ter uma noção do que era um parto humanizado e quis vivenciar essa experiência. Mas só assistir o filme não era o suficiente pra me informar. Comecei a buscar informação de todos os lados. Pesquisei em sites, blogs, páginas, redes sociais, assisti a vídeos, li relatos de parto, perguntei pra outras pessoas que também vivenciaram essa experiência... enfim, busquei informação!
Descobri os muitos mitos sobre parto normal que são tidos como verdade... descobri que o Sistema Obstétrico Brasileiro vai te empurrar pra uma cesárea porque pra grande maioria dos médicos, o que importa no final das contas é o lucro, e parto normal não é lucrativo. Descobri que pra parir no Brasil tem que lutar e muito. E eu lutei!
Conversei com meu marido sobre a possibilidade de um parto domiciliar e ele me apoiou de cara! A primeira profissional que procurei pra ter um parto humanizado foi uma doula. Quando assisti ao filme, achei que doulas faziam parto, então foi a primeira profissional que busquei. Eu sabia que pra ter um parto humanizado, a única forma seria se fosse domiciliar, pois aqui na região não existem hospitais humanizados. Imaginei que fosse um valor exorbitante e que estaria fora do meu alcance, mas decidi procurar a doula assim mesmo, pois não custava perguntar...
Achei uma doula na cidade vizinha e ela me explicou o que uma doula realmente faz e me indicou uma parteira, a Gabi, e uma doula da minha cidade, a Aline. Eu e meu marido marcamos um encontro com a Gabi e conversamos durante horas. Ela nos deu seu preço e, pra nossa surpresa, era um valor que conseguiríamos pagar nos apertando aqui e ali. A essa altura eu estava com 11 semanas de gestação e a partir daí comecei a fazer o pré-natal com a Gabi.
Fiz o pré-natal simultaneamente com a Gabi e a obstetra, mas com a obstetra eu fazia apenas pra pegar os pedidos dos exames. Era mais uma formalidade, tanto que mesmo tendo convênio, optei em fazer as consultas de pré-natal pelo SUS e somente os exames eu realizava pelo convênio.
Minhas consultas com a Gabi duravam mais de 3 horas. Com ela não tinha relógio, contagem de tempo... ficávamos à vontade, conversando, tirando dúvidas, fazendo exercícios... eu me sentia muito segura com ela.
Eu e a Aline conversávamos por redes sociais e nos encontramos algumas vezes também. Ela também me passou muita tranquilidade e fiquei feliz e segura com a equipe que estaria comigo naquele momento tão especial!
Durante a gestação fui pesquisando cada vez mais sobre tudo relacionado à gestação, parto, bebês e etc. A informação foi fundamental para o sucesso do meu parto. Descobri o poder que eu tenho. Descobri a minha força. Descobri que sou capaz de parir, que o parto é meu e que os profissionais estão ali apenas pra me auxiliar, mas quem faz o parto sou eu!
Essa questão de parto humanizado, parto domiciliar, parto natural e etc., ainda é muito confusa pra muita gente. A maioria não sabe a diferença entre eles, ou acha que é tudo a mesma coisa... Por ainda ser um assunto muito “polêmico”, decidimos que não contaríamos a ninguém sobre nossa decisão. Nem à família. Afinal, era uma decisão nossa e naquele momento tão especial da minha vida, a última coisa que queríamos era gente dando palpite sobre o assunto.
No dia 22/02/15, a Aline foi até minha casa para ensinar ao meu marido as técnicas de massagem que aliviam a dor das contrações e também para mostrar as posições que aliviam a dor. Conversamos bastante, tiramos nossas dúvidas e resolvemos alguns detalhes sobre o que eu gostaria ou não no dia do parto.

No dia 23/02/15, mais ou menos às 8 da manhã, eu comecei a sentir contrações com umas cólicas enjoadinhas. Eu ainda estava dormindo, mas a cada contração eu acordava com a cólica. Às 10 da manhã resolvi levantar. Quando fui ao banheiro vi que o tampão tinha começado a sair. Liguei pra Aline pra deixa-la de sobreaviso, mas disse que não precisava vir ainda. Liguei também pro meu marido pra deixa-lo de sobreaviso e pedi que ele ligasse pra Gabi. A Gabi me ligou e eu expliquei tudo o que eu estava sentindo, mas que ainda não precisava vir.
Às 11 da manhã comecei a marcar as contrações e a cronometrar sua duração. As contrações vinham num intervalo de 5 em 5 minutos, mas só duravam 40 segundos. A cólica era fraca e continuei com minha rotina normal. Eu precisava levar o meu filho à escola e conversar com a diretora sobre uma vaga para o meu outro filho, que estava sem estudar. A Gabi havia pedido pra eu ficar em casa descansando, mas eu precisava resolver essa questão. As contrações continuavam do mesmo jeito... de 5 em 5 minutos, mas durando apenas 40 segundos. Nas minhas pesquisas, aprendi que o mais importante não é o intervalo entre uma contração e outra, mas sim a duração da contração... se dura menos de 1 minuto, então ainda é o trabalho de parto latente, onde não há dilatação. Independente de o intervalo ser de 20 em 20 minutos ou de 3 em 3 minutos... se dura menos de 1 minuto, ainda não pode ser considerado trabalho de parto. Aprendi também que devemos relaxar durante a contração, pois assim a dor é menor. A cada contração eu fechava os olhos e relaxava ao máximo. Me entreguei pra dor e isso fazia com que eu sentisse menos dor.
Quanto ao tampão, não me alarmei porque quando eu estava grávida do meu segundo filho, o tampão começou a sair dois dias antes... então ainda não estava me dizendo nada.
Continuei em contato com meu marido, a Aline e a Gabi dando notícias constantemente. A Gabi já tinha me dado certeza que minha filha nasceria naquele dia. Por volta de 14:30 mais ou menos pedi pro meu marido vir pra casa, pois o trajeto seria demorado.
Continuei cronometrando cada contração e às 16h mais ou menos a cólica começou a ficar um pouco mais forte e a contração começou a durar entre 1 minuto e 1 minuto e 20 segundos, com intervalos de 10 minutos entre uma e outra.
Por volta das 17h liguei pra Gabi e disse que ela já podia vir. Meu marido chegou em casa por volta de 17:30 e começou a preparar a casa para o parto.


ÀS 18h MAIS OU MENOS SENTI UM "PLOFT" e constatei que minha bolsa havia estourado, mas saiu apenas um pouco de líquido. Imaginei que era uma ruptura alta pela pouca quantidade de líquido. Liguei pra Aline e disse que ela já podia vir também e avisei que a bolsa havia estourado. A ligação estava ruim... ela não estava entendendo direito, mas entendeu que já podia vir.
A Gabi chegou umas 18:30 mais ou menos e logo em seguida a Aline chegou.
Depois que a bolsa estourou as cólicas ficaram um pouco mais fortes, mas eu continuava conversando normalmente, rindo, brincando... Eu estava super tranquila e sabia que minha filha chegaria à noite ou de madrugada.
A Gabi aferiu minha pressão e monitorou os batimentos cardíacos da Isabela. Estava tudo bem com nós duas. Enquanto a Gabi apalpava minha barriga, saiu mais água da bolsa, dessa vez bastante. Pensei que nem teria mais nada pra sair, mas volta e meia saía mais um pouco. A Gabi e Diego subiram pra ajeitar o quarto pro parto. A Aline ficou comigo conversando e fazendo massagem quando vinha uma contração.
Por volta das 20h as cólicas aumentaram um pouco mais e eu decidi ir pro chuveiro, pois eu sabia que a água quente aliviava a dor. Fiquei lá no chuveiro, deixando a água cair... e como aliviou! Nossa! Parecia mágica! Eu já tinha ouvido falar que aliviava, mas não imaginei que aliviava tanto! Fiquei lá um bom tempo e continuava relaxando a cada contração. Me entreguei totalmente à dor e quanto mais eu me entregava e relaxava, menor era a intensidade da dor.
Às 21h mais ou menos saí do chuveiro e fui pra cama pra que a Gabi me examinasse. Os batimentos da Isa continuavam ótimos e eu já estava com 4cm de dilatação. Confesso que eu queria que ela dissesse que eu estava com muito mais do que 4cm... rsrsrs mas eu ainda estava tranquila! Foi o ÚNICO toque que recebi em todo o meu trabalho de parto! Nos meus outros partos perdi a conta de quantos toques recebi e também de quantas pessoas fizeram! Toda hora vinha um sujeito diferente... Que diferença ter um parto domiciliar! Nunca mais quero saber de outra coisa! Hospital, nunca mais!
Mas, enfim... voltei pro chuveiro e, enquanto isso, a piscina de parto estava enchendo e Diego estava fazendo uma macarronada pra todos nós comermos. Sim, eu também estava comendo normalmente! Bebia água o tempo todo e me alimentei normalmente.
A Gabi me disse que quando o Diego terminasse o que estava fazendo e viesse ficar comigo, o meu trabalho de parto evoluiria rapidamente. Foi dito e feito! O Diego subiu umas 22h e pouca pra ficar comigo. Sentei na piscina, que ainda estava enchendo, mas já tinha certa quantidade de água quentinha, e jantei. Tinha pouco macarrão no prato e eu continuei com fome, então pedi mais!
Diego ficou abaixado atrás de mim, do lado de fora da piscina, e me abraçou, fez carinho na minha barriga, disse que eu estava linda, que me amava e que logo nossa filha estaria em nossos braços. O hormônio responsável pelas contrações é a OCITOCINA. Esse mesmo hormônio é conhecido como hormônio do amor pois, além de ser o responsável pelas contrações, é responsável também pela descida do leite, por estreitar os laços entre mãe e bebê e também é um dos responsáveis pelo orgasmo no ato sexual. Por isso, quando meu marido se juntou a mim e começou a me falar palavras de carinho e amor, o meu trabalho de parto evoluiu rapidamente.
Quando o outro prato de macarrão chegou eu mal conseguia comer. As contrações foram ficando cada vez mais fortes, com intervalos cada vez mais curtos e durando mais de 1 minuto. Eu mal conseguia dar uma garfada e já vinha outra contração. Era só o tempo de Diego pegar o meu prato e começar a fazer massagem pra aliviar a dor.
A dor estava sim ficando mais forte, mas ainda não era A DOR...
Nesse meio tempo a Aline e a Gabi estavam enchendo a piscina com panelas de água quente, pois o chuveiro não estava suportando ficar tanto tempo ligado e o disjuntor estava desarmando.
A dor estava aumentando rapidamente e eu pedi que a Gabi fizesse outro toque em mim para me dizer com quantos centímetros de dilatação eu estava. Eu queria saber se faltava muito, se eu já estava com pelo menos 8cm... mas para que ela fizesse o toque, era necessário que eu deitasse na cama, mas quando tentei sair da piscina, veio outra contração. O intervalo era muito curto, não dava pra sair da piscina. Eu simplesmente não conseguia.
Perguntei pra Gabi se realmente precisava sair da piscina pra fazer o toque e ela só me olhou com uma carinha de dó e balançou a cabeça dizendo que sim. Eu então desisti e decidi ficar ali mesmo. Como a Gabi já havia dito, depois que o Diego viesse ficar comigo, meu trabalho de parto evoluiria muito rápido, e foi o que aconteceu.


A essa altura eu comecei a sentir A DOR e eu já não conseguia mais fechar os olhos e relaxar... minha vontade era de falar AI, AI... mas a Gabi me orientou a fazer um som de aaaaaaaaaaaaaa para “abrir”. Então eu fiz. Quando vinha a dor eu fazia uma espécie de vocalize com a vogal “a”, mas sem gritar. Apenas falava. A todo o momento eu mentalizava que a minha filha estava chegando. Que quanto mais forte a dor, mais perto estava dela nascer!
A todo momento eu agradecia a Deus por estar em casa e não em um hospital! Eu sabia que num hospital eu não poderia fazer nada do que tinha feito estando em casa. Eu teria que ficar o tempo todo deitada numa maca, e só pra constar: ficar deitada é a posição que mais dói durante as contrações. Por isso não sofri em casa, porque pude ficar em posições que aliviavam a dor.
Eu estava sentada e a Gabi me disse que eu precisava mudar de posição, ficar de joelhos, pois sentada não daria pra minha filha nascer. Nessa fase eu já estava na partolândia. Os poucos momentos de intervalo entre uma contração e outra, eu entrava em transe. Relaxava num nível que não conseguia falar. Eu quase adormecia. Meu marido e a equipe se comunicavam apenas sussurrando para não me atrapalhar. Me lembro da Aline me perguntar alguma coisa e eu fazer um tremendo esforço só pra levantar o braço e fazer um sinal de “não” com o dedo, tamanho era o meu estado de relaxamento.
Colocaram a bola de pilates dentro da piscina, não me lembro se foi a Aline ou a Gabi. Eu fiquei de joelhos e apoiei o corpo na bola. A essa altura o Diego já estava sentindo dor no pulso de tanto fazer massagem e pediu que a Aline ficasse um pouco no lugar dele. Logo depois que mudei de posição, as próximas contrações já foram pra minha filha nascer.

QUANDO VEIO UMA CONTRAÇÃO EU FIZ FORÇA E A CABEÇA SAIU. Senti uma certa agonia com o corpinho dela ainda dentro de mim e minha vontade era de pedir pra Gabi puxar, mas eu sabia que não podia. A Aline só me disse pra que eu não fizesse força e que esperasse a próxima contração. O intervalo foi de uns 30 segundos mais ou menos entre a contração pra sair a cabeça e a próxima. Quando a Aline terminou de falar isso, veio outra contração e eu decidi que faria uma força só, que o corpinho dela sairia de uma vez. Fiz uma força comprida e o corpinho dela saiu todinho. Eu pari! Pari como nunca havia parido antes! Da forma mais linda que uma mulher poderia parir e um bebê poderia nascer! Não sofri! Foi Lindo! Às 23:36, com 3,298kg e 47cm, Isabela nasceu!
A DOR ACABOU INSTANTANEAMENTE! Eu falei que queria vê-la, pois estava de costas, e a Gabi me pediu pra esperar um pouquinho. Esperei alguns segundos e me virei e sentei. No mesmo instante a minha filha começou a chorar. Ouvi seu chorinho pela primeira vez! A peguei em meus braços e minha vontade era de amamentar na mesma hora. A Isabela começou a espirrar e ela mesma colocou pra fora as secreções. Não foi necessário nenhum procedimento invasivo, nenhum tipo de aparelho sendo enfiado no nariz e na garganta da minha filha para aspirar nada! Deus é muito perfeito!
Ela ainda estava chorando e a Gabi me instruiu a coloca-la de bruços nos meus braços e assim que o fiz, ela parou de chorar. Uns 15 minutos após o seu nascimento eu comecei a amamenta-la. Ela sugava forte e mamou durante horas! Fiquei um bom tempo ainda na piscina. Ela no meu colo, pele-a-pele, apenas coberta com uma fraldinha de pano na parte do corpo que não estava em contato com o meu corpo.



FICAMOS TODOS ALI, ADMIRANDO AQUELA CENA! Admirando o que acabara de acontecer! Meu filho Lohan assistiu o parto e ficou maravilhado com o nascimento da irmã. Meu filho Bernardo não aguentou ficar acordado.
Depois de um tempo, fui pra cama e a Isabela ainda mamava, desta vez, no outro seio. Diego cortou o cordão umbilical e foi um momento maravilhoso. No parto humanizado nós deixamos para cortar o cordão quando o mesmo já parou de pulsar. Isso porque enquanto ele está pulsando, está passando oxigênio para o bebê e cerca de 100ml de sangue. Esse sangue previne o bebê de ter anemia durante o primeiro ano de vida. Eu fiquei mais de 1 hora dentro da piscina depois que a Isa nasceu, e só quando fui pra cama, é que cortamos o cordão.
A Gabi me examinou e viu que não havia laceração nenhuma! Meu períneo estava íntegro! Um tapa na cara do Sistema Obstétrico Brasileiro, que pratica episiotomia de rotina, com a desculpa de que é pra não correr o risco de lacerar! Kkkkkkk tem que rir né? Beijinho no ombro pra quem defende a episiotomia de rotina tá? Períneo íntegro aqui!
A placenta ainda não havia nascido e a Gabi me disse pra tentar fazer xixi, pois poderia ser isso que estaria impedindo a placenta de nascer. Sim, no parto humanizado nós esperamos a placenta nascer. Nós não puxamos ela, e cada mulher tem o seu tempo para “parir” a placenta.
Fui para o banheiro e fiquei sentada no vaso esperando a placenta nascer. Entre 10 e 15 minutos depois, eu senti que a placenta ia sair e foi só o tempo de falar: “Acho que a placenta vai sair” e ela nasceu! Depois disso, me levantei e fui tomar banho! Sozinha! Menos de duas horas depois de parir minha filha! Eu estava super bem! Tomei banho normalmente, lavei o cabelo, me enxuguei e me vesti, tudo sozinha.
Esse meio tempo foi o único que minha filha passou longe de mim e mesmo assim ficou no colo do pai. E por incrível que pareça, apesar de ter mamado bastante, ela ficou procurando peito nele... rsrsrsrs


PEGUEI MINHA FILHA NOVAMENTE E CONTINUEI AMAMENTANDO até 3 da manhã! Aline e Gabi foram embora nesse horário. Eu e Diego fomos descansar também. Pelo menos tentamos, porque a euforia não deixou que pegássemos no sono de imediato. Isabela dormiu o restante da noite e só acordou de manhã para mamar.
E muitas pessoas me perguntam se eu tive que ir pro hospital depois de ter o neném. Não gente, eu não tive. Correu tudo bem no meu parto e só haveria necessidade de ir pro hospital se houvesse alguma intercorrência. Outra coisa é que se houvesse alguma emergência, a parteira tem todos os equipamentos necessários para fazer os primeiros socorros, inclusive oxigênio, e depois iríamos para um hospital.
EU PESQUISEI SOBRE TUDO ANTES DE TOMAR ESSA DECISÃO e eu jamais seria leviana a ponto de colocar a vida da minha filha ou a minha em risco. Foi tudo totalmente seguro e realizado por uma equipe capacitada! Durante toda a minha gestação, o meu ÚNICO medo era de ter que ir para o hospital. Isso eu não queria de jeito nenhum!
Algumas pessoas falam: Ah, mas você é do tipo que não sente dor né? Só sente uma dorzinha e logo o neném nasce...
Nada disso! Eu sinto dor sim! E muita! Mas dessa vez foi diferente! Foi uma dor gostosa de sentir! Eu estava acolhida no aconchego do meu lar, com as pessoas que eu amo ao meu redor, me entregando de corpo e alma a cada contração, a cada dor e curtindo cada uma, pois eu estava consciente que aquelas dores trariam minha filha pra mim dentro de poucas horas.
O sofrimento de um parto não se deve à dor em si, mas sim a todas as violências obstétricas que sofremos e não sabemos. Por isso a importância de buscarmos informação, para que tenhamos ciência de tudo e não corramos o risco de termos nossos partos roubados.
Muitas pessoas me parabenizam pela coragem de ter tido um parto em casa... eu já acho que corajosa é quem vai para um hospital. Essa é uma coragem que eu não tenho mais!




Obrigada por compartilhar essa experiência linda!!!
Muito amor pra vocês!!

12 de fevereiro de 2015

Congresso Online Nascer Melhor

E vem aí mais um super Congresso Online e Gratuito sobre Parto Humanizado!!

FAÇA JÁ A SUA INSCRIÇÃO ATRAVÉS DO LINK: bit.ly/315-congresso-nascer-melhor



 Palestras com grandes nomes da humanização do parto e nascimento!!

*Ricardo Herbert Jones​,
*Laura Gutman,
*Debra Pascali-Bonaro,
*Evânia Reichert,
*Alexandre Coimbra Amaral​,
*Laura Uplinger​,
*Cláudia Rodrigues,
*Naoli Vinaver​,
*Erica de Paula​,
*Mayra Calvette​
*Myrthes Gonzalez,
*Ana Paula Caldas,
*Eleanor Luzes,
*Eleonora de Moraes,
*Marcus Renato de Carvalho,
*Raquel Marques,
*Profa Fadynha​
*Kalu Brum​,
*Heloisa Lessa.

Não fique de fora desse grande evento! Vamos divulgar!!
Todos merecem informação!! Toda mulher tem o direito de parir com respeito! Todo o bebê tem o direito de nascer sorrindo!! <3 br="">


23 de janeiro de 2015

E afinal, o que fazer com a placenta?!

Infelizmente hoje em dia ainda não damos à placenta o seu devido valor, e nem sabemos direito o quão valiosa ela é, e que mesmo depois do nascimento, de ter nutrido o nosso bebê por tanto tempo, ela ainda pode nos proporcionar muitos benefícios!
Pode-se fazer o carimbo dela e guardar a imagem para sempre, tem mulheres que plantam, outras cozinham e comem e tem as que encapsulam!
E isso é mesmo muito interessate!
Me arrependo muito de não ter feito nada com a minha (no caso a segunda, da Isis, por que a placenta do Arthur eu não vi nem de longe!).
Guardei ela por um tempo na geladeira, mas acabou indo fora, me sinto muito triste por isso.
Não sei se eu comeria, até por que quem comeu já disse que se parece com bife de fígado, e eu tenho pavor de fígado! auhuhahua...  Mas essa ideia de encapsular é realmente muito boa!
Esse post será sobre isso, pra quem ainda não conhece esse procedimento e todos os benefícios da Placenta, essa linda que cuidou tão bem dos nossos bebês!!


"A equipe Luz de Candeeiro é especialista em Encapsulação de Placenta com certificação pelo Placenta Benefits (PBI). PBI é uma organização fundada por Jodi Selander depois que ela começou seus estudos sobre encapsulação de placenta em 2005. Esta organização, além de pioneira, é a mais reconhecida internacionalmente e a que provê pesquisas mais recentes e consistentes nesse assunto. O treinamento, teórico e prático, dá a habilidade não somente de encapsular placentas mas também de informar mulheres sobre os benefícios da medicina da placenta.
Encapsulação de placenta é uma forma de se preparar a placenta para o consumo. O método de preparo vem da Medicina Tradicional Chinesa, em que a placenta é vaporizada, desidratada, triturada e encapsulada. A mulher poderá receber pequenas doses de placenta em cápsulas para a recuperação no pós-parto e manutenção da amamentação. Muitas mulheres ao redor do mundo guardam suas capsulas de placenta congeladas para serem usadas na menopausa.
Para ter maior aproveitamento dos benefícios que a medicina da placenta oferece, a encapsulação deve ocorrer até 48 horas após o nascimento. Nesse tempo de espera a placenta deverá ser refrigerada. Se o processo de encapsulação for demorar mais do que 48hs para ser feito, nós recomendamos que ela seja congelada em um saco duplo com o mínimo de ar junto. Placentas congeladas também podem ser encapsuladas, desde que estejam preservadas de descongelamentos.
O processo de encapsulação demora de 10 a 12 horas, dependendo do tempo de desidratação. O serviço de encapsulação da placenta acontece na casa da própria mulher, onde o parto aconteceu (se o parto foi domiciliar). Se o parto aconteceu no hospital, uma de nós poderá ir até sua casa para começar o processo de vaporização e desidratação, e voltar 10 a 12 horas depois para encapsular. Nesse caso, o casal deve trazer a placenta do hospital para casa, sendo que nesse tempo a placenta deverá ser mantida sob refrigeração. A cápsula de placenta é uma forma simples, fácil e discreta de ingerir a placenta e usufruir dos seus benefícios.
De uma maneira geral, os benefícios da placenta incluem:
  • Diminuição da intensidade do "baby blues" ou "depressão pós parto"minimizando a queda de energia no pós-parto.
  • É usada na Medicina Tradicional Chinesa para suporte da lactação e diminuição da fadiga
  • É considerada grande fonte de vitaminas e minerais para o pós parto, principalmente o ferro.
  • Aumenta a produção do leite materno
  • Aumenta o tônus uterino diminuindo o sangramento
Entre os nutrientes encontrados na placenta estão:
  • Células-tronco e fatores de crescimento
  • Ferro - essencial para a absorção de oxigênio nas células
  • Vitaminas B6 - auxilia no processo de tomada de anticorpos
  • Vitamina E - para a cura de células da pele danificadas
  • Hormônio oxitocina - essencial para facilitar o nascimento e amamentação
  • Hormônio liberador de corticotropina (CRH) - responsável por reduzir os níveis de estresse."

14 de janeiro de 2015

E o tal de APGAR?! O que é?!

Com certeza todos já ouviram falar no famoso apgar, sabem que ele está presente no nascimento dos bebês, mas a maioria ainda não sabe o que é.
Aí está o que nos diz, com certeza, como o RN nasceu, se ele passou por algum sofrimento, com o apgar, nós saberemos a verdade.

"A Escala ou Índice de Apgar é um teste desenvolvido pela Dra. Virginia Apgar, médica norte-americana, que consiste na avaliação de 5 sinais objetivos do recém-nascido no primeiro, no quinto e no décimo minuto após o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuação de 0 a 2, sendo utilizado para avaliar as condições dos recém-nascidos. Os sinais avaliados são: freqüência cardíaca, respiração, tónus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele. O somatório da pontuação (no mínimo zero e no máximo dez) resultará no Índice de Apgar e o recém-nascido será classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10), com asfixia leve (Apgar 5 a 7),com asfixia moderada (Apgar 3 a 4) e com asfixia grave: Apgar 0 a 2.



É o método mais comumente empregado para avaliar o ajuste imediato do recém-nascido à vida extra-uterina, avaliando suas condições de vitalidade. Para cada um dos 5 itens é atribuída uma nota de 0 a 2. Somam-se as notas de cada item e temos o total, que pode dar uma nota mínima de 0 e máxima de 10. Uma nota de 8 a 10, presente em cerca de 90% dos recém-nascidos significa que o bebê nasceu em ótimas condições. Uma nota 7 significa que o bebê teve uma dificuldade leve. De 4 a 6, traduz uma dificuldade de grau moderado, e de 0 a 3 uma dificuldade de ordem grave. Se estas dificuldades persistirem durante alguns minutos sem tratamento, pode levar a alterações metabólicas no organismo do bebê gerando uma situação potencialmente perigosa, a chamada anóxia (falta de oxigenação). O boletim Apgar de primeiro minuto é considerado como um diagnóstico da situação presente, índice que pode traduzir sinal de asfixia e da necessidade de ventilação mecânica. Já o Apgar de quinto minuto e o de décimo minuto são considerados mais acurados, levando ao prognóstico da saúde neurológica da criança (seqüela neurológica ou morte)."

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Escala_de_Apgar

Outros links: http://www.medicinaintensiva.com.br/apgar.htm
http://www.pediatradigital.com.br/gravidez-e-parto/dicas/o-que-e-apgar-e-sua-importancia/

28 de novembro de 2014

Uma indução desnecessária, pode acabar numa cesárea!

O que eu vou falar aqui me incomoda muito, me deixa mal.
Levanta a mão quem ficou extremamente ansiosa no final da gestação?! o/
Pois é, foi o que eu pensei...
Mas essa ansiedade pode atrapalhar muito pra quem quer um PN.
Muito mesmo!
Pra que não atrapalhe você precisa estar mais que empoderada, você precisa estar segura da sua decisão em esperar o tempo do seu bebê. E isso requer paciência. Paciência pra esperar, paciência com aqueles que enchem o saco pra saber o por que seu bebê ainda não nasceu, paciência com o médico que começa fazer terrorismo e mexer no seu psicológico quando passa das 39 semanas.
Como se não bastasse a sua ansiedade.
É difícil! Eu que sou se não a primeira, a segunda pessoa mais ansiosa da face da terra, sei bem como é! Ô se sei!
Mas eu queria o meu VBAC (parto vaginal após cesárea), então eu tinha que esperar. Só esperando eu ia conseguir.
E como mãe de segunda viagem, eu já sabia que depois dá uma baita saudade da barriga, de sentir os chutes do bebê e que o tempo voa!! Pra que querer acabar tudo de uma vez?!
São só 9 meses do seu filho dentro da barriga e uma vida inteira pela frente com ele aqui fora.
Hoje minha bebê já está com 8 meses, e parece que foi ontem mesmo que eu pari!

Mas o que me fez escrever esse post foi o número de mulheres que cedem a pressão ou da família, ou do médico e com 39/ 40/ 41 semanas são internadas para indução sem sequer sinal de trabalho de parto, ou simplesmente por que a bolsa estourou e elas acham que têm que sair correndo pro hospital.
E o que têm acontecido com elas?!
Essas mulheres não têm parido! Elas acabam numa maca, com braços amarrados, anestesiadas e têm suas barrigas cortadas, pra tirar logo aquele bebê que estava muito bem, obrigada, no lugar mais seguro pra ele. Assim, com pressa. Por que começam a induzir com misoprostol (que pode levar 48h pra começar a fazer efeito), a dilatação não evolui, a equipe não quer esperar, eles querem mais é que acabe logo. Ou assim que ela chega no hospital, não importando como vai o andamento natural da dilatação, já coloca a mulher no soro com ocitocina sintética e o que acontece?! Dores fortes, contrações seguidas, mulher e bebê não têm tempo de se recuperar entre uma e outra.... sofrimento fetal.... cesárea...
Por quê?! Pra quê?!
Se é uma gestante de baixo risco, está indo tudo bem com ela e bebê, por que não esperar?! Qual o problema em esperar o corpo agir sozinho?! Ele vai agir!! Ele iria agir se esperassem!!
Toda mulher entra em trabalho de parto. Todas!!
Isso aqui é um desabafo mesmo! E um alerta pra que outras não passem por isso sem nenhuma necessidade!!
Vamos confiar mais no nosso corpo?!
Lembrem-se que ele foi feito pra isso.
Perfeito pra conceber, gestar, parir e nutrir!
Abaixo, uma cadeia de intervenções. Se puder, evite a primeira!!

27 de novembro de 2014

Recuperação pós cesárea x parto natural

Como foi minha recuperação depois de um parto natural?!
Não foi.... por que não precisei me recuperar de nada!!
Pari naturalmente, sem qualquer intervenção desnecessária, sem nada de que eu precisasse me recuperar.
Pari em cima da minha cama, depois de +- 30 minutos, cortamos o cordão da Isis, pedimos um pizza (todo mundo louco de fome), comi a pizza ainda na cama, sentada tipo índio, logo em seguida me levantei e fui tomar um banho, sozinha, assim, simplesmente!!

Mas se tu me perguntar sobre como foi a minha recuperação depois da cesárea.... aí é outra história....

Pra começar, aquela salinha em que as gestantes ficam, antes de irem para os quartos, é terrível!
Todas lá, sem conseguir se mexer direito, esperando voltar a sentir as pernas, pra daí sim, pode ir para os quartos.
E com uma "pequena" pressão das enfermeiras "Já está conseguindo mexer as pernas, mãezinha? Só vai sair daqui quando conseguir, vamos lá!"

Como se dependesse da nossa vontade, né?!

Enquanto isso, na espera das pernas voltarem a funcionar.... aquela coceeeeeira no nariz causada pela morfina.
Ok. Pernas mexendo e agora, como vou sair dessa maca e passar pra outra?!
Door, muita dor.
Fui pro quarto. Hora de tentar dar de mamá, pq até então nada feito!
Não tive o primeiro contato com o meu filho, aliás fui a última a vê-lo.
Tento me ajeitar de lado mesmo na maca, mas nada....ele não quis mamar.
Aí vem outra enfermeira: "Vamos tomar banho?"
Mais uma luta e um sufoco pra sair da maca. Ufa, consegui!
Mas quando chego no banheiro, vistas escurecem, quase desmaio e tenho que voltar "correndo" pra cama.
Volto a dormir, quando acordo já é de manhã, me levanto, bem devagar... não posso ficar pra sempre ali, né, esperando não sentir mais dor.
Começo a enfim cuidar do meu filho.... e vou me recuperando....

Claro que o "sentir dor" é muito relativo, cada um encara de um jeito, sente de um jeito. Mas uma cesárea sem dor, só na hora da cirurgia, depois vai doer sim!
E quando comparamos o pós de um e outro é por que a diferença é muito grande!!

Não queira passar por uma cirurgia desnecessariamente, não têm por quê!!

5 de novembro de 2014

O parto que não é NADA normal!

Muitos já sabem que eu sou ativista do parto humanizado, e que antes de parir minha filha Isis, naturalmente, sem nenhuma intervenção, meu filho Arthur e eu passamos por uma cesárea desnecessária.
Ainda dói, não a cicatriz física, mas a da alma, por não ter passado o momento mais lindo da vida com ele também.
Mas hoje em dia, já me sinto a vontade pra falar sobre o assunto, tanto que me sinto no dever de ajudar outras mulheres a não irem pra faca sem necessidade.

Mas não adianta apenas escapar de uma cesárea e cair num parto normal totalmente violento, nós não queremos só que nosso filho nasça pelas nossas vaginas, nós queremos respeito e carinho, queremos de volta o nosso protagonismo! Que seja respeitada a fisiologia do nosso corpo, que o significado de obstetrícia ( vem da palavra latina "obstetrix", que é derivada do verbo "obstare" - ficar ao lado) seja realmente praticado.
Queremos partos e nascimentos respeitosos!! Com intervenções nos casos que forem mesmo necessárias, não feitas de rotina, como se não soubessem mais como um parto funciona.
A medicina evoluiu sim, mas o corpo da mulher continua sendo perfeito pra parir e nutrir, do mesmo modo que é perfeito pra conceber e gestar!

Abaixo algumas das intervenções desnecessárias mais praticadas e de rotina:

Amniotomia (rompimento artificial da bolsa)


Soro com ocitocina sintética (faz aumentar as contrações e as dores se tornam insuportáveis)


Posição de litotômia (pernas abertas e amarradas)


Manobra de kristeller (ato de empurra o fundo do útero durante uma contração)


Episiotomia (corte feito no períneo, entre a vagina e o ânus)


De todas essas intervenções, a que às vezes pode ser mesmo necessária, é o uso da ocitocina sintética, as outras são só violências com a mulher e bebê.

Isso é violência obstétrica e as mulheres precisam saber que isso não é um parto normal!
A nosso luta pelo parto humanizado ainda vai muito longe, mas aos poucos, as mulheres irão se conscientizar e começarão a exigir seus direitos!

Outas coisas que também podem passar despercebidas, ou consideradas normais: gestante ter que ficar deitada na maca durante o trabalho de parto e ter que ficar em jejum, sem ao menos poder tomar uma água. 
A mulher não só pode como deve sim se movimentar durante o trabalho de parto, e deve se alimentar e se hidratar, para que no momento do expulsivo ela tenha forças e esteja disposta!

Façam um plano de parto um modelo aqui!
Denunciem esse tipo de violência, saiba mais clicando aqui!

O parto humanizado é para todas! 
Gestantes do SUS, do setor privado, de todas as classes!! 
A nossa luta é por todas, para todas e de todos!!


Razões para não armazenar células tronco do cordão umbilical

E será que vale a pena armazenar as células tronco do cordão umbilical dos nossos bebês, e privá-los de receber todo o sangue que é deles de direito?!
Não,  não vale.  Mesmo! 

Muito se fala sobre o armazenamento das células tronco do cordão umbilical para ajudar na cura de futuras doenças, mas pouco se sabe mesmo sobre o assunto.
Na verdade não existe nada que conprove que isso realmente seja uma atitude preventiva eficaz, muito pelo contrário.
Se fala muito na cura da leucemia, mas a ABHH - Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, já disse que: "A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento e pode ser detectada já no teste do pezinho."

Então acredito que ao invés de querer armazenar, para quem sabe um dia precisar, por que não deixar todo esse sangue pra quem é mesmo de direito, e no momento em que ele, o bebê, realmente precisa?!

Abaixo dois vídeos que mostram como é feita a coleta e todo o sangue que o bebê perde nesse processo.




A seguir dois textos que falam sobre o assunto e explicam muito bem o porquê que não devemos armazenar essas células tronco.

"O sangue do cordão umbilical deve pulsar inteiramente para o recém-nascido, porque é dele. Ele fornece o aporte de ferro necessário para o primeiro ano do bebê, uma vez que o leite materno não é rico nesse mineral (motivo pelos quais os pediatras indicam suplemento de ferro a partir do sexto mês). Sério, o bebê recebe entre 20 e 40ml a mais de sangue, o que representa 30 a 35mg a mais de ferro.
O bebê é oxigenado através do cordão. O clampeamento imediato do cordão equivale a um instante de sufocamento, pois o bebê para, repentinamente, de receber oxigênio. E para bebês com dificuldades respiratórias nos primeiros instantes, esse oxigênio do cordão é extremamente representativo e pode evitar potenciais danos cerebrais e morte.
Não existem estudos que comprovem aspectos negativos do clampeamento tardio. Nenhum. Zero. Nada. Não aumenta o risco de icterícia, não aumenta a bilirrubina, nada disso é comprovado. No entanto…
…em caso de emergências, o clampeamento deve ser imediato. É necessária a remoção do bebê para procedimentos de emergência. E mesmo esse procedimento de remoção e clampeamento imediato pode estar com os dias contados, vê só. Um obstetra britânico ajudou a inventar um equipamento chamado de BASICS trolley. É um carrinho que fica ao lado do leito da mãe, que contem um ressucitador, água e aquecedor, e permite que os cuidados de emergência neonatais imediatos podem ser feitos nesse carrinho, ao lado da mãe, sem o clampeamento do cordão. Ele ganhou prêmios e está aos poucos sendo introduzidos nos hospitais do Reino Unido, local onde os obstetras já incluíram nas guidelines: nada de clampeamento imediato.

E como se não bastasse isso, a própria Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) publicou uma nota dizendo basicamente que esses serviços de coleta e armazenamento privativos do cordão umbilical são… bem… charlatanismo.

Veja o que diz o site de um laboratório que coleta e armazena células-tronco: 
Muitos destes estudos apresentaram resultados promissores em doenças como Diabetes, AVC, Epilepsia, Lupus, Artrites entre outras, além de estudos em recuperação de tecidos danificados em acidentes, como paraplegia, recuperação de queimados, etc.
Mas aí o site do Instituto Nacional de Câncer joga um balde de água fria:
O sangue do cordão é uma das fontes de células-tronco para o transplante de medula óssea e este é o único uso deste material atualmente. O transplante é indicado para pacientes com leucemias, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune (cerca de 70 indicações).
Nota da ABHH sobre a leucemia: 
A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento e pode ser detectada já no teste do pezinho.
Então você vai pagar entre R$3.500 e R$6.000 pra coletar as células-tronco do seu bebê, e mais R$600 a R$1.000 reais por ano pra armazená-las, e, se porventura um dia vier a precisar delas, basicamente… não vai poder usá-las.
Mas digamos que você está em um local onde o clampeamento precoce do cordão é regra, como… a maioria dos hospitais brasileiros. Em hospitais públicos, principalmente, a flexibilidade dessas regras é de zero a nula. Então você acha que seria bacana guardar as células-tronco do cordão. Pra isso, existe a Brasilcord, uma rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Públicos, isso mesmo. Significa que você não tem autonomia sobre o uso do sangue da sua criança, mas assim como alguém pode usá-lo, você (ou ele) podem precisar das células-tronco de outro alguém. E é de lá que virá. Naquele link do INCA que eu coloquei acima, eles explicam exatamente como funciona a coleta e a doação para a Brasilcord. E nesse link, estão os endereços dos bancos de sangue umbilical e placentário do país.
Eu sei que no meu próximo filho, farei de tudo para evitar o clampeamento precoce do cordão. E você, levou isso em consideração no seu plano de parto?"

Fonte: http://vilamamifera.com/mamiferas/devo-coletar-o-sangue-do-cordao-umbilical/  
http://scienceofmom.com/2012/10/11/why-consider-delayed-cord-clamping/
O sangue do cordão umbilical deve pulsar inteiramente para o recém-nascido, porque é dele. Ele fornece o aporte de ferro necessário para o primeiro ano do bebê, uma vez que o leite materno não é rico nesse mineral (motivo pelos quais os pediatras indicam suplemento de ferro a partir do sexto mês). Sério, o bebê recebe entre 20 e 40ml a mais de sangue, o que representa 30 a 35mg a mais de ferro.
O bebê é oxigenado através do cordão. O clampeamento imediato do cordão equivale a um instante de sufocamento, pois o bebê para, repentinamente, de receber oxigênio. E para bebês com dificuldades respiratórias nos primeiros instantes, esse oxigênio do cordão é extremamente representativo e pode evitar potenciais danos cerebrais e morte.
Não existem estudos que comprovem aspectos negativos do clampeamento tardio. Nenhum. Zero. Nada. Não aumenta o risco de icterícia, não aumenta a bilirrubina, nada disso é comprovado. No entanto…
…em caso de emergências, o clampeamento deve ser imediato. É necessária a remoção do bebê para procedimentos de emergência. E mesmo esse procedimento de remoção e clampeamento imediato pode estar com os dias contados, vê só. Um obstetra britânico ajudou a inventar um equipamento chamado de BASICS trolley. É um carrinho que fica ao lado do leito da mãe, que contem um ressucitador, água e aquecedor, e permite que os cuidados de emergência neonatais imediatos podem ser feitos nesse carrinho, ao lado da mãe, sem o clampeamento do cordão. Ele ganhou prêmios e está aos poucos sendo introduzidos nos hospitais do Reino Unido, local onde os obstetras já incluíram nas guidelines: nada de clampeamento imediato.

E como se não bastasse isso, a própria Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) publicou uma nota dizendo basicamente que esses serviços de coleta e armazenamento privativos do cordão umbilical são… bem… charlatanismo.

Veja o que diz o site de um laboratório que coleta e armazena células-tronco: 
Muitos destes estudos apresentaram resultados promissores em doenças como Diabetes, AVC, Epilepsia, Lupus, Artrites entre outras, além de estudos em recuperação de tecidos danificados em acidentes, como paraplegia, recuperação de queimados, etc.
Mas aí o site do Instituto Nacional de Câncer joga um balde de água fria:
O sangue do cordão é uma das fontes de células-tronco para o transplante de medula óssea e este é o único uso deste material atualmente. O transplante é indicado para pacientes com leucemias, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, hemoglobinopatias, imunodeficiências congênitas, mieloma múltiplo, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune (cerca de 70 indicações).
Nota da ABHH sobre a leucemia: 
A leucemia, por exemplo, principal causa de câncer em crianças, é a mais citada como argumentação dos bancos privados junto aos pais, como forma de prevenção à saúde. Mas a utilização do próprio sangue de cordão para o transplante desta criança será inútil. Trabalhos na literatura médica demonstram que a carga genética para a leucemia já se encontra presente desde o nascimento e pode ser detectada já no teste do pezinho.
Então você vai pagar entre R$3.500 e R$6.000 pra coletar as células-tronco do seu bebê, e mais R$600 a R$1.000 reais por ano pra armazená-las, e, se porventura um dia vier a precisar delas, basicamente… não vai poder usá-las.
Mas digamos que você está em um local onde o clampeamento precoce do cordão é regra, como… a maioria dos hospitais brasileiros. Em hospitais públicos, principalmente, a flexibilidade dessas regras é de zero a nula. Então você acha que seria bacana guardar as células-tronco do cordão. Pra isso, existe a Brasilcord, uma rede que reúne os Bancos Públicos de Sangue de Cordão Umbilical. Públicos, isso mesmo. Significa que você não tem autonomia sobre o uso do sangue da sua criança, mas assim como alguém pode usá-lo, você (ou ele) podem precisar das células-tronco de outro alguém. E é de lá que virá. Naquele link do INCA que eu coloquei acima, eles explicam exatamente como funciona a coleta e a doação para a Brasilcord. E nesse link, estão os endereços dos bancos de sangue umbilical e placentário do país.
Eu sei que no meu próximo filho, farei de tudo para evitar o clampeamento precoce do cordão. E você, levou isso em consideração no seu plano de parto?"

Fonte: http://vilamamifera.com/mamiferas/devo-coletar-o-sangue-do-cordao-umbilical/  
http://scienceofmom.com/2012/10/11/why-consider-delayed-cord-clamping/

1. Importantes órgãos de saúde não recomendam o armazenamento de células-tronco em bancos privados.
No Brasil, o Ministério da Saúde, o INCA e a Anvisa se posicionaram contra o armazenamento de sangue de cordão umbilical em bancos privados com base em estudos e estatísticas que apontam as numerosas limitações do uso real desse material. A Academia Americana da Pediatria e o Colégio Americano de Ginecologistas Obstetras também são reticentes à prática. Vou resumir as principais objeções levantadas por esses órgãos:
  • A probabilidade real de se usar as células-tronco do cordão é baixíssima: as estimativas indicam entre 0,005% e 0,05%. No Brasil, apenas 3 das 45.661 unidades de sangue de cordão armazenadas em bancos privados no período de 2003 a 2010 foram utilizadas. Ou seja, somente 0,007%.
  • As quantidades coletadas geralmente não são o suficiente para tratar muitas condições – especialmente em adultos. Para você ter uma ideia, segundo Mary Hanet, a gerente de um dos maiores bancos públicos dos EUA, 75% do sangue coletado para bancos públicos é descartado por não conter um número mínimo de células-tronco. Ou seja, há uma chance considerável de você pagar para armazenar um material completamente inviável.
  • Em muitas das doenças passíveis de serem tratadas com células-tronco na infância, não é indicado usar material autólogo (do próprio paciente), porque aquelas células também carregam os marcadores genéticos da doença. É o caso das leucemias, por exemplo, e de outras doenças genéticas.
  • Como os bancos privados não são regulados, há uma chance do armazenamento não estar sendo feito adequadamente.
  • Ainda há poucos estudos e relatos de caso na literatura médica para comprovar o real benefício de tratamentos com células-tronco de sangue de cordão umbilical autólogas.
2. O sangue do cordão pertence ao bebê – privá-lo desse sangue pode ter consequências adversas.
Dizem que o sangue do cordão, se não for coletado, vai para o lixo junto com a placenta. E isso pode até ser verdade em muitos casos, mas é importante saber que  não precisa acontecer no seu caso. Deixar passar alguns minutos antes de cortar o cordão – uma prática conhecida como clampeamento tardio de cordão umbilical – já faz parte de um protocolo humanizado (e baseado em evidências) de parto e nascimento – é, inclusive, uma recomendação da OMS. Consiste em esperar o cordão parar de pulsar, para que o sangue residual do cordão e da placenta retorne para o bebê. Afinal, aquele sangue ali pertence ao bebê, não é mesmo? Na natureza, num parto 100% fisiológico, ele voltaria ao bebê. Estudos mostram que bebês que receberam esse sangue na época do nascimento têm menos anemia do que bebês nascidos com os protocolos antigos de clampeamento (ou seja, cujo cordão foi cortado imediatamente). Eileen Hutton, que publicou uma revisão sistemática sobre o tema, diz o seguinte sobre o clampeamento precoce do cordão (ou seja, o método convencional praticado pela maioria dos médicos): “As implicações são imensas. Trata-se de privar os bebês de 30 a 40 por cento do próprio sangue no nascimento – e tudo isso porque aprendemos uma prática que é nociva”.

Um último ponto sobre as consequências imediatas para o bebê: o procedimento em si, como você pode ver na imagem que ilustra esse post, não me parece um jeito muito agradável de ser recepcionado a este mundo. Eu, se fosse um recém-nascido, preferiria estar entre os seios quentinhos da minha mãe.
3. O marketing das empresas de armazenamento é predatório e antiético.
Um excelente debate entre médicos publicado no jornal de acesso aberto PLOS Medicine levanta uma questão pertinente:  bancos de armazenamento privados exploram a vulnerabilidade emocional dos pais visando o próprio lucro? Visto que: A) muitos candidatos a clientes desconhecem a informação resumida no ponto 1 (sobre a baixíssima probabilidade de, primeiro, precisarem desse material e, segundo e talvez mais importante, conseguirem fazê-lo de forma eficaz) e, sobretudo, B) que a decisão lhes é colocada como uma questão de “seguro de saúde” para um filho que ainda não nasceu – e sobre o qual já se colocou muito desejo, amor, preocupação – então eu diria que C), sim, é uma atitude covarde e cruel das empresas tentar vender-lhes uma garantia nada garantida, uma ilusão, de que através desse “investimento” eles estejam adquirindo um salva-guarda contra seus piores pesadelos. Como se não bastasse essa ação predatória sobre os medos inevitáveis dos pais, essas empresas também bonificam os médicos que “indicam” o serviço. Fiquei sabendo, por uma fonte segura, que as empresas oferecem um “agrado” (em dinheiro, que fique claro) aos obstetras das pacientes que contratam o serviço e que esse “agrado” pode até ultrapassar o valor que o médico recebeu do plano de saúde pelo procedimento feito (parto ou cesárea). É a dupla falta de ética nesse caso, porque nem o obstetra vira uma fonte confiável de informação, já que ele está se beneficiando do procedimento (sem revelar isso aos clientes).
É lógico que, sabendo de tudo isso, um casal pode ainda chegar à conclusão de que dormiria melhor à noite pagando os tais R$2.000 + taxas anuais de R$500. Mas sempre é bom examinar os medos e as crenças irracionais antes de gastar a grana e ser vítima desse marketing desleal, até porque [veja abaixo]…
4. …há maneiras mais eficazes – e mais certeiras – de zelar pela saúde do seu filho.
Ao invés de cair na neurose promovida pelo marketing do medo, fixando-se num cenário hipotético nada provável (doença rara, tecnologias de ponta, cura milagrosa!), que talvez nem seja tratável com o material disponível (insuficiente, mal armazenado, comprometido),  que tal colocar suas energias em medidas efetivas para melhorar a saúde do seu filho? Quer reduzir as chances de que ele tenha um câncer raro, diabetes, doenças autoimunes? Foque suas energias (e recursos financeiros) na amamentação e, em seguida, na alimentação saudável, priorizando comidas caseiras, feitas com ingredientes naturais (e, se possível, livres de agrotóxicos, como os orgânicos). Estabeleça em sua família um estilo de vida ativo, com tempo na natureza, diversão, esporte, ar puro e endorfinas naturais. Promova um ambiente com um mínimo de químicas e toxinas  – o que não significa estéril, pelo contrário, mas evitando expor sua família a substâncias cancerígenas ou disruptores endócrinos. Quer fazer mais? Então contrate um pediatra que faça um trabalho cauteloso, focado na saúde a longo prazo e não só nos males imediatos, limitando assim medicações, hospitalizações e cirurgias. Trate seu bebê, e depois a sua criança, o seu adolescente, com carinho e respeito, zelando pelo seu bem estar emocional, pois uma mente sã é uma condição sine qua non para um corpo são. Essas atitudes pró-ativas, concretas, fundamentadas em evidências, terão um impacto muito maior  a longo prazo na saúde e no bem estar do seu filho.
5. Você aposta na ciência?
Muitos pais que consideram coletar e armazenar o sangue do cordão do filho têm fé nas novas tecnologias e, por isso, optam por contratar esse serviço mesmo sabendo que, no momento atual, as aplicações são restritas. Acreditam que, no futuro, com novas pesquisas e descobertas, os usos se tornarão mais abrangentes e, assim, a probabilidade de se utilizar o material tão caramente guardado aumentará. Agora, se você aposta na ciência e na tecnologia, não seria razoável apostar na possibilidade de se descobrirem outros meios de curar e/ou tratar doenças sem privar o bebê de 30% do sangue do seu corpo ao nascer e sem expô-lo, desnecessariamente, ao risco de anemia por conta do clampeamento precoce do cordão? Sei lá, não sou cientista, mas não acho que essa hipótese seja tão improvável assim.
Já disse tudo o que me propus a dizer. Peço desculpa pelo texto enorme e por não ter tocado no assunto do armazenamento em bancos públicos, mas acho que o impulso por trás dessa opção não é o medo e a vulnerabilidade que fazem um casal considerar o armazenamento em  banco privado. E a minha birra é com isso. Porque é impossível alguém tomar uma decisão consciente sem ter informação real sobre o que está prestes a contratar: informação sobre o serviço, as possíveis consequências, as motivações que o levam a considerá-lo e as alternativas. Espero que eu tenha contribuído para que você faça uma decisão mais consciente sobre a contratação (ou não) desse serviço.

Fonte:  https://amaequequeroser.wordpress.com/2013/06/01/vale-a-pena-armazenar-o-sangue-do-cordao-umbilical/



4 de novembro de 2014

Vamos conversar sobre parto?!

Senta aqui e vamos conversar?!
Assunto de mulher pra mulher!
Há um pouco mais de 1 ano e meio, quando descobri estar grávida da Isis, descobri também que a cesárea que eu tinha passado com o Arthur, tinha sido desnecessária, e desde então entrei nessa luta pela humanização do parto, e eu sei que não saio mais, é um caminho sem volta!

Hoje em dia me sinto na obrigação de ajudar outras mulheres, de passar adiante toda a informação que recebo, informações que eu não tive na minha primeira gravidez, que com certeza teriam feito o nascimento do Arthur tomar um outro rumo.
Mesmo antes de engravidar, sempre quis um parto normal, achava que querer era o suficiente, e eu estava nos 80% das mulheres que desejam um PN, mas também fiz parte daquelas que por algum motivo (desnecessário), tiveram uma cesárea.
O meu motivo foi por pouco líquido amniótico, estava com 36 semanas e 3 dias, não me deram a opção de induzir o parto, e eu também nem desconfiava que pudesse ser assim, eu ainda estava na matrix, como eu ia desconfiar de médicos que estudaram tanto, não é mesmo?!
E é isso o que acontece com muitas mulheres!
E é por isso que lutamos tanto em defesa do parto humanizado!
O parto normal que é conhecido pela maioria, de normal não tem nada.
É cheio de intervenções desnecessárias, violência obstétrica, que infantiliza a mulher e ela perde toda a sua autonomia no momento mais importante da vida.
Não deixando de lado também o nascimento do bebê, a recepção dele, não tenho como pensar em parto humanizado se o bebê não tiver também uma recepção respeitosa!
Até entendo a escolha pela cesárea, se for comparar esses partos violentos, mas parir não é sinônimo de sofrimento, a dor do parto pode ser muito boa sim e é isso que queremos difundir!!

Algumas das mulheres que escolhem pela cesárea, é pelo medo da dor do parto, mas essas também não sabem de todos os riscos de uma cirurgia eletiva.
Com certeza seus médicos não deixam claro o que pode acontecer com ela e bebê a curto e longo prazo, por que pra maioria o que interessa mesmo é o dinheiro, e quantas cesáreas dá pra se fazer em um dia?!
Várias!!
O nascer no Brasil é quase que uma linha de produção. Milhares de mulheres esperando , a cada meia hora, nasce um bebê, o centro cirúrgico é limpo, entra mais uma, e por aí vai.
Mas e quantos desses bebê nascem  mal, com insuficiência respiratória e precisam ir pra UTI por que foram tirados do útero antes do tempo?!
Vários!!
E alguns médicos ainda fazem as mães acreditarem que se o bebê ficasse mais tempo dentro da barriga, ele poderia morrer, por que vejam só, ele teve que ir pra UTI! A cesárea que salvou a sua vida!! Só que não!
Os bebê, e somente os bebês sabem a hora de nascer! Se é uma gestação de baixo risco, ou como alguns preferem dizer, gestação de risco habitual, se está tudo bem com mãe e bebê, não tem por que interromper a gestação por que está chegando perto da data provável do parto e ainda não há sinais do bebê querer nascer.
Uma gestação pode chegar nas 42 semanas e alguns dias tranquilamente! Claro que quanto mais tarde, mais cuidados se deve ter, mas mais uma vez, se está tudo bem, vamos esperar, o bebê agradece!!

É seu primeiro momento aqui fora e deve ser recebido com todo o respeito. Imaginem que ele está no lugar mais seguro, se sentindo amado, protegido, e isso por 9 meses, aí de repente o arrancam de lá, imaginem o desespero que esse bebê vai sentir?!
Cortam o seu cordão e ele tem que aprender na marra como respirar pelas vias aéreas.
Aquele choro não é bonito, aquele choro é de pânico, medo!

É por essas e muitas outras que somos contra a cesárea eletiva, mas vejam bem, não somos contra quem as faz, entendemos que cada mulher tem o direito e deve escolher o que quiser, mas desde que essa escolha seja informada, e com as informações corretas!!
Por isso as vezes podemos passar por grosseiras, que não medem as palavras, mas não é por mal, não é em tom de ofensa, mas tem certas coisas que devem ser ditas, para que saiam da zona de conforto e pensem de verdade sobre o assunto! Às vezes passar a mão na cabeça e falar manso, não dão resultados. O empoderamento é uma porta que só abre pelo lado de dentro, mas para que isso aconteça, é preciso que se saia da Matrix, que se realmente entenda o que acontece fora dela.

Àquelas mulheres que optaram pela cesárea, sem qualquer indicação, apenas por querer, por achar mais cômodo saber o dia e hora que o filho vai nascer, peço que se desarmem quando ler ou ouvir algo que nós temos a dizer, não é um confronto! Não somos nós x vocês, nós somos todas mulheres, mães e queremos ajudar! Pensamos no bem de vocês e seus filhos!!
Mas se mesmo assim, depois de conhecer todos os prós e contras, a decisão continuar sendo a mesma, você vai estar ciente e será por sua conta e risco, e não poderá dizer que não sabia dos riscos!
Uma das maiores leis da vida é que pra toda ação, há uma reação, e muitas vezes não sabemos o que nos espera, pode fugir do nosso controle!

E não digam mais que não são menos mães por terem feito uma cesárea! Nós, ativistas nunca dissemos isso! Via de nascimento não é "mãezímetro", por mais que pra mim seja uma opção errada, optar pela cesárea sem realmente precisar, por tudo o que eu já disse acima, e pensando no bem da mulher e bebê, você não é menos ou mais mãe, ou ama mais ou menos o seu filho dependendo da forma que ele veio ao mundo!
Só queremos que você entenda que se seu filho nasceu lindo e saudável, vocês tiveram sorte, mas muitas outras não tiveram.
E queremos que saibam que cordão enrolado no pescoço não é emergência, que bebês pélvicos (sentados) também nascem naturalmente, que existem pouquíssimas reais indicações de cesárea, e que qualquer dúvida que surgir, procurem ajuda, procurem grupos de apoio ao parto, não se acomodem, lutem por um momento lindo que é o parto e nascimento sem traumas, sem violência pra ambos!

O trabalho de parto pode ser dolorido, cansativo, pode levar horas ou ser super rápido, mas quando a mulher entende  que deve passar por esse processo, por esse ritual de passagem, que a cada dor, cada contração, é seu filho mais perto de nascer, ele se torna prazeroso, e o parto transformador!! Nenhuma mulher continua sendo a mesma depois de parir. Nos tornamos e nos sentimos mais fortes, poderosas, capazes de tudo!
Não se prive dessa experiência!!
Eu te garanto que é mágico e que você não irá se arrepender!
O se o "problema" for mesmo o medo da dor, procure ajuda e converse com mulheres que pariram!
Se doesse tanto assim, você acha mesmo que íamos querer passar por isso de novo minutos depois de parir?! :)